Oficina censurado nas redes sociais

7 de dezembro de 2011

O perfil do Teatro Oficina Uzyna Uzona no Facebook foi desativado na quinta-feira passada, 1º de dezembro, após o banimento de duas fotografias onde atores apareciam nus.

Em uma dessas fotos o ator Marcelo Drummond, no papel de Oswald de Andrade aparecia nu, de frente para a câmera, sem maquiagem, em cena da Macumba Antropófaga. A cena é a da devoração de Oswald de Andrade pelos índios antropófagos, quando este, já despido pelo índios, tenta convencê-los a não realizar o rito canibal.

A outra foto banida trazia a roda de índios preparando-se para o ritual canibal de Oswald de Andrade, dessa vez em cena da 1ª apresentação da Macumba Antropófaga, em Inhotim, Minas Gerais, em junho de 2010.

Nesta mesma quinta-feira havia sido publicado no Facebook, aparentemente por alguém que criou um falso perfil com essa finalidade, uma troca de emails entre artistas da Companhia procurando solucionar uma situação delicada: algumas crianças do bairro do Bexiga, que desde o início da temporada da Macumba Antropófaga acompanhavam o trecho inicial da peça, encenado nas ruas do entorno do teatro, quando encerrou-se a temporada e o Oficina entrou em um breve recesso, passaram a ter o acesso restringido. Contrariadas com isso, pois insistiam em permanecer dentro do prédio, ameaçaram os zeladores e administradores do espaço com testemunhos falsos sobre o que presenciaram enquanto puderam participar da Macumba Antropófaga.

Denunciamos ao Facebook o perfil que publicou essa troca de emails, com a provável finalidade de boicotar nosso trabalho, mas mesmo assim, no dia seguinte, tivemos nossa conta desativada.

Nas “guidelines” que explicam como se dá o desativamento das contas, o Facebook informa que, dependendo do grau da infração cometida, não precisa avisar ao proprietário do perfil que a conta será desativada. Foi o que aconteceu conosco e assim perdemos o contato direto que tínhamos com 5000 pessoas – nosso perfil tinha atingido o número máximo de amigos – além das mais de 4000 que acompanhavam nossa página, somando quase 10000 pessoas que ainda repassavam nossas informações a outras. Perdemos também as milhares de fotos publicadas, não apenas por nós mesmos, mas por fotógrafos que acompanham nosso trabalho e publicavam em nosso mural, algumas dezenas de vídeos e toda a informação que, ao longo de três anos, publicamos no Facebook.

Alguns meses antes nosso canal no Youtube havia sido encerrado. Depois do banimento sucessivo de vídeos que traziam cenas de nudez, e das inúmeras tentativas de tentarmos nos defender alegando o caráter documental de nosso trabalho, o serviço de vídeos na internet encerrou nossa conta e deixou inacessível uma centena de vídeos que mostravam a importância e a qualidade de nosso trabalho, publicados ali desde o ano de 2004, e vistos milhares de vezes pelo público.

Entre a expulsão do Facebook e o encerramento do canal no Youtube tivemos ainda nossas fotos no Flickr, cujo serviço contratamos e pagamos anualmente, restritas. Apenas as pessoas com conta no Flickr podem acessá-las atualmente, e quando se busca por palavras-chave referentes ao nosso trabalho o Flickr não dá resultados. Temos aproximadamente 4000 fotos publicadas ali, entre elas toda a cobertura de nossa turnê nacional de 2010, as Dionisíacas, que percorreram oito capitais brasileiras com quatro peças encenadas em Teatros de Estádio para 2000 pessoas, erguidos em cada localidade.

O que fica evidente, é que as aclamadas redes sociais, a que tantos atribuem uma revolução na informação, hoje são incapazes de manter público o trabalho de um dos mais importantes teatros do mundo.

Estamos sendo apagados dessas redes por censura. Só podemos imaginar que este seja um reflexo, no campo virtual, de uma realidade. Nos dois planos o Oficina encontra enormes barreiras, mesmo neste momento de passagem de Eras, mas é claro, não desiste.

Estamos reestruturando o modo como dispomos nossos conteúdos na internet. Os movimentos de ocupação, em todo o mundo hoje, dependem do apoio de grandes firmas de segurança para conseguir manter no ar as informações que divulgam, esquivando-se de governos e corporações. Assim como o Oficina, estes movimentos que buscam transformar a realidade atual tocando diretamente os tabus, sofrem reação violenta de controle. Mas a rede reintegra-se, e assim como Dionísio, o Oficina, e o eterno movimento da revolução, ressurgem, mais fortes e preparados.

Anthropophagic Manifesto

1 de outubro de 2011

Only anthropophagy unites us. Socially. Economically. Philosophically.

The world’s one and only law. Masked expression of all individualisms, of all collectivisms. Of all religions. Of all peace treaties.

Tupi, or not Tupi that is the question.

Against all catechisms. And against the mother of the Gracchi.

I am only interested in what is not mine. Law of man. Law of the anthropophagus.

We are tired of all the suspicious catholic husbands put in drama. Freud put an end to the woman enigma and to other frights of printed psychology.

Sons of the sun, mother of the living. Found and loved ferociously, with all the hypocrisy of nostalgia, by the immigrants, by the slaves and by the touristes. In the country of the big snake.

It was because we never had grammars, nor collections of old plants. And we never knew what was urban, suburban, boundary and continental. Lazy men on the world map of Brazil. A participating consciousness, a religious rhythm.

Against all importers of canned consciousness. The palpable existence of life. And the pre-logical mentality for Mr. Levi Bruhl to study.

We want the Carahiba revolution. Bigger than the French Revolution. The unification of all efficacious rebellions in the direction of man. Without us Europe would not even have its poor declaration of the rights of man. The golden age proclaimed by America. The golden age. And all the girls.

Filiation. The contact with Carahiban Brazil. Oú Villegaignon print terre. Montaigne. The natural man. Rousseau. From the French Revolution to Romanticism, to the Bolshevist Revolution, to the Surrealist Revolution and Keyserling’s technicized barbarian. We walk on.

We were never catechized. We live through a somnambular law. We had Christ born in Bahia. Or in Belém do Pará.

But we never admitted the birth of logic among us.

Against Father Vieira. Author of our first loan, to gain his commission. The illiterate king had told him: put this in paper but don’t be too wordy. The loan was made. Brazilian sugar was recorded. Vieira left the money in Portugal and brought us wordiness.

The spirit refuses to conceive spirit without body. Anthropomorphism. The necessity of an anthropophagic vaccine. For balance against meridian religions. And foreign inquisitions.

We can only attend to the oracular world.

We had justice as codification of vengeance. Science as codification of Magic. Anthropophagy. The permanent transformation of Taboo into totem.

Against the reversible world and objectivized ideas. Cadaverized. The stop of thought which is dynamic. The individual victim of the system. The source of classical injustices. Of the romantic injustices. And the forgetting of interior conquests.

Routes. Routes. Routes. Routes. Routes. Routes. Routes.

The Carahiban instinct.

Death and life of hypotheses. From the self-equation part of the Kosmos to the Kosmos-axiom part of the self. Subsistence. Knowledge. Anthropophagy.

Against plant elites. In communication with the soil.

We were never catechized. We had Carnival instead. The Indian dressed up as senator of the Empire. Pretending to be Pitt. Or featuring in Alencar’s operas full of good Portuguese feelings.

We already had communism. We already had the surrealist language. The golden age.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipejú.

Magic and life. We had the relation and the distribution of physical goods, of moral goods, and the goods of dignity. And we knew how to transpose mystery and death with the aid of some grammatical forms. I asked a man what Law was. He replied it was the guarantee of the exercise of possibility. That man was called Galli Matias. I ate him.

Determinism is only absent where there is mystery. But what do we have to do with this?

Against the stories of man, beginning at Cape Finisterre. The undated world. The unmarked world. No Napoleon. No Caesar.

The fixation of progress through catalogues and television sets. Only machinery. And the blood transfusors.

Against the antagonical sublimations. Brought in caravels.

Against the truth of missionary peoples, defined by the sagacity of an anthropophagite, the Viscount of Cairu:-It is the often repeated lie.

If God is the consciousness of the Uncreated Universe, Guaraci is the mother of the living. Jaci is the mother of plants.

We did not have speculation. But we had the power of guessing. We had Politics which is the science of distribution. And a planetary-social system.

The migrations. The escape from tedious states. Against urban sclerosis. Against Conservatories, and tedious speculation.

From William James to Voronoff. The transfiguration of Taboo into totem. Anthropophagy.

The paterfamilias and the creation of the Stork Fable: Actual ignorance of things + lack of imagination + authoritative attitude before the curious progeny.

One has to start from a profound atheism in order to reach the notion of God. But the Carahiba did not. Because they had Guaraci.

The created objective reacts like the Fallen Angels. Then Moses strays. What do we have to do with that?

Before the Portuguese discovered Brazil, Brazil had discovered happiness.

Against the torch-bearing Indian. The Indian son to Mary, godson to Catherine de Médicis and son-in-law to Don Antônio de Mariz.

Joy is the real proof.

In the matriarchy of Pindorama.

Against the Memory source of custom. Personal experience renewed.

We are concretists. Ideas take hold, react, burn people in public squares. Let us suppress ideas and other paralyses. For routes. To believe in signs, to believe in instruments and stars.

Against Goethe, the mother of the Gracchi, and the Court of Don João VI.

Joy is the real proof.

The struggle between what one would call the Uncreated and the Creature illustrated by the permanent contradiction between man and his Taboo. The quotidian love and the capitalist modus vivendi. Anthropophagy. Absorption of the sacred enemy. To transform him into totem. The human adventure. The mundane finality. However, only the pure elites managed to realize carnal anthropophagy, which brings the highest sense of life, and avoids all the evils identified by Freud, catechist evils. What happens is not a sublimation of the sexual instinct. It is the thermometric scale of the anthropophagic instinct. From carnal, it becomes elective and creates friendship. Affectionate, love. Speculative, science. It deviates and transfers itself. We reach vilification. Low anthropophagy agglomerated in the sins of catechism-envy, usury, calumny, assassination. Plague of the so-called cultured and christianized people, it is against it that we are acting. Anthropophagy.

Against Anchieta singing the eleven thousand virgins of the sky, in the land of Iracema- the patriarch João Ramalho founder of São Paulo.

Our independence has not yet been proclaimed. Typical phrase of Don João VI:-My son, put this crown on your head, before some adventurer does! We expelled the dynasty. It is necessary to expel the spirit of Bragança, the law and the snuff of Maria da Fonte.

Against social reality, dressed and oppressive, registered by Freud-reality without complexes, without madness, without prostitutions and without the prisons of the matriarchy of Pindorama.

Oswald de Andrade

In Piratininga
Year 374 of the swallowing of the Bishop Sardinha.

In: Revista de Antropofagia [Journal of Anthropophagy], São Paulo, 1st of May 1928.

Traduzido por Ângela Destro

Macumba Antropófaga Urbana em cartaz

26 de agosto de 2011

Dentro do projeto de realizar as Dionisíacas Antropófagas Urbanas, o Oficina está em cartaz com a Macumba Antropófaga – de Sampã Bexiga, que estreou em 16 de agosto de 2011, quando o Oficina comemorou 50 anos do Oficina na terra da Rua Jaceguai 520, comendo festivamente o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade.

Estadão Hoje

8 de agosto de 2011

Mutirão com Sampã, Brasil e Mundo para acontecer a Macumba Antropófaga

4 de agosto de 2011

IÓ! TERRENOS DE MINHA TERRA

MUTIRÃO COM SAMPÃ BRASIL E MUNDO PARA ACONTECER A MACUMBA ANTROPÓFAGA URBANA BÁRBARA TECNIZADA PARA COMEMORAR OS 5O ANOS DO TEAT(r)O OFICINA

A COMIDA ANTROPÓFAGA OSWALDIANA ACONTECERÁ EM TODO ESPLENDOR Q MERECE COM UM CHÁ DE COZINHA DE PRESENTES PARA COMEÇAR HOJE, A 13 DIAS  de 16 DE AGOSTO DE 2011.

“Macumba Urbana Antropófaga” antropofagiando cenicamente  o “Manifesto Antropófago” de Oswald de Andrade .

Bárbaro Tecnizado é a Força desta Macumba Eletrônica, Virtual, Atual e Urbana.

As extensões tecnológicas de nossa mídia corporal fazem hoje parte de do Eterno Retorno Ecológico à nossa natureza primitiva animal.

Desd’o fim do Carnaval, uma Célula de Artistas do Oficina UzynaUzona  vem criando a peça

- esboçada no SESC Paulista em 2008 nos 80 anos do “Manifesto Antropófago”,

- em INHOTIM, à Luz da Sol (a Guaracy dos Tupys ) “Macumba Antropófaga no Magic Square de H.O. – Hélio Oiticica”.

Agora estamos  no delineamento Corográfico Tecno-Pictórico, Rítmico e Sonoro, enfim no nascimento do que vem sendo gerado em forma de Arte, Máquina do Desejo das Paixões das Multidões.

Chamamos uma 1ª turma para a Universidade Antropófaga.

A Macumba especial para Paraty, foi lá  apresentada em Grande Festa finalizando a FLIP.

Agora está criado um Corpo Vivo Apaixonado de Atores Multi-Artes-Multi-Mídia com o feitiço de sues Corpos Elétricos desejosos  de suas extensões Tecnológicas.

Já iniciáramos  a busca do Elo Perdido com os Atores Ancestrais Tupys Antropófagos, inCorporando a Barbárie de sua “Rítmica Religiosa”, nossas qualidades de filhos de deuses animais presentes em nossa Anima Xamânica, pré lógica , de Atores pré-Homens, querendo saltar ao Ator trans Humano: o Craque do Atletismo Afetivo.

Nosso Corpo Antropófago está necessitando de colocar seus nervos, seu sangue, sua pele, seu corpo interior e exterior em sua Interface  Tecnológica .

Caminharemos pelo BIXIGA, até a Casa de Dona Yayá, na fachada do TBC, onde vamos buscar Cacilda Becker para incorporar Tarsila do Amaral, de Lá vamos á rua Ricardo Batista , onde Oswald escreveu uma de suas Obras Primas: “Um Homem Sem Profissão “ou “Sob as Ordens de
Mamãe”. Lá ele bebe leite de uma Cabrinha, como costumava fazer durante a escrita deste livro.

O Cortejo segue pela Rua São Domngos até entrar pela Poera da 1ª Sinagoga de SamPã no Ex –Estacionamento Estacionamento Silvio Santos ,onde num Totem de Entulhos que virou uma Escultural Orgânica Viva, plantamos as Mudas do Verde do Reflorestaento do Bixiga.

1º Breque – Para acomppanhar este cortejo precisamos da transmissão de Intrumentos no dia 16, pelo menos, como os que a UOL teve para nos oferecer o acompanhmento em casa pela Internet da Marcha da Maconha, e podería transmitir todo evento do dia 16. Depois teremos de ter uma Tecnologia especial para que esse Cortejo fosse acompanhado na OCA que vamos construir.

Já ganhamos de Presente, assinamos até um contrato, a ocupação da Área do nosso entorno, onde queremos construir o TEATRO DE ESTÁDIO, com o Grupo Silvio, até a 1ª Semana de Novembro quando encerramos nossa temporada.

Lá  estamos já  construindo uma Oca de Bambu:o Restaurante  ‘TROCA TROCA’S ENTRE TERRENOS” onde Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade apaixonados  depois de uma dose de Absinto, descobrem no Prato de Rãs, que haviam comandado, a gemealidade com nossos corpos de bichos humanos naquelas rãzinhas peladinhas.

É o instante do Restabelecimento Mágico  do Elo Perdido da Cultura Brasileira com seu Inconsciente Arcaico Antropófago

Oswald e Tarsila saem do Restaurante para  a Oficina de Floresta de Selva de Jardins , do Teat(r)o Oficina , criados pela Paisagista Rosa Grená Fliass.

Os Dois Amantes no Cio da Criação amam – enquanto o Publico entra no Teatro, nos Jardins.

Despertam com  Coro dos Índios Tupys, e seu deus da dança Mandú Sarará  e Tarsila que já estava pintando o Corpo Nú de Oswald transmuta-o no ABAPORU ( O HOMEM Q COME O HOMEM) Oswald no chão do Jardim, Cozinheiro das Almas, cozinha  em um  E-BOOK seu MANIFESTO ANTROPOFAGO de Carne Animal e Vegetal

Daí por diante o Manifesto Vira Macumba Viva em seu Clímax entra  o Ator Bárbaro devorando a  Sciência e a Tecnologia para“virar” Bárbaro  Tecnizado e trazer a Macumba Eletrônica até agora impossível de ter sua epifania , sem seus instrumentos digitais.

Breque 2 – Viajamos o ano passado alugando equipamentos de ultima geração para dar refinadamente, de Graça  ao Publico em lugares populares de 9 Capitais do Brasil as 4 peças das DIONIZÍACAS patrocinadas Pelo MINC.

Este ano estamos ensaiando sem nenhum apoio financeiro há seis meses praticamente. Nosso equipamento se reduz a 4 microfones, as mesas de Som e Luz estão absolutamente superadas, quebradas. As Caixas de Som e as Câmeras de Vídeo nececessitando reparo e já superadas pela dinâmica do avanço tecnológico digital.

Estou neste texto me endereçando aos Amantes da Arte Teatral, do OficinaUzynaUzona, da Cultura no Brasil e no Mundo para que presenteiam este aniversário de 50 anos que não é somente do Teat(r)o Oficina.

Todos que  aqui pisaram, passaram, sentiram seus ecos, ou virão a sentir, enfim  e criaram esta longevidade plena de jovialidade. Não pode jamais ser atribuída a uma pessoa ou a um grupo, é um sintoma da Potencia Cultural, Pré Sal da riqueza energética do Capital Trans humano do Povo hoje, no  Brasil.

Temos  um contrato a ser assinado de Patrocínio pela Petrobras, acabei de assinar hoje, vai demorar a saída de dinheiro vivo, mas já é possível desde já contratatar-se  o que precisamos a pagamento condicionado a liberação, espero rápida, destes recursos.

Estamos esperando um dinheiro mais rápido da Secretaria da Cultura do Estado, que o tombou em 1982, João Carlos Martins, Flavio Império, e Azis Ab Saber. O Estado tornou-se proprietário dele  desde 1984, com sua  desapropriação  pelo Governador Montoro na gestão de Jorge da Cunha Lima na Secretaria da Cultura,  portanto é um aniversariante de quase 30 anos, como Propietário deste lugar que criamos e agora ocupamos estrategicamente sem aporrinhações burocráticas graças a sabedoria cultural do atual Secretário de Cultura Andreas Matarazzo.

Este dinheiro o tempo tirano quer assim: tem de ser empenhado por Contrato esta Semana.

Me endereço a empresas sejam de Equipamentos Eletrônicos de Luz, Som, de Vídeo, que estejam presentes ao nosso lado para criarmos esta Obra de Arte juntos para a cidade de SamPã, e para o mundo.

E a todos que queiram nos emprestar os equipamentos que precisamos.

Peço desde já que a Produtora Ana Rubia faça uma lita para colocarmos a disposição de todos que Irão participar deste Chá de Cozinha Antropófago.

Vou para o 13º ensaio em Contagem regressiva, tive de antes tornar Publico este apelo, senão não conseguiria saber como ensaiar.

Quiroga me avisa:

O melhor de você é aquilo que raramente se manifesta, porque sempre há tarefas que precisam ser atendidas, ou porque as idéias que representam essas potencialidades ocultas parecem ser loucas demais para ser verdade.

Parto para minhas possibilidades ocultas no ensaio

MERDA

Libertemos a Cultura das suas Prisões

30 de julho de 2011

Ontem nós do Oficina Uzyna Uzona interrompemos nosso ensaio e fomos prestar solidariedade aos que ocuparam a Funarte com o objetivo de lutar pelo descontingenciamento da verba do Ministério da Cultura, do corte absurdo em dois terços de seu Orçamento.

Antes de sair para este encontro li o Manifesto do Movimento e fiquei chocado pela linguagem burocrática, “cover”, papagaiando a revolução árabe no CHEGA, no PERDER A PACIÊNCIA.

Um documento que seqüestra a Cultura num texto muito mal escrito, e a faz prisioneira da linguagem política de analfabetice acadêmica, cheia de ressentimento, “indignação”, “intimações”, “exigências”, etc..

Eu já estou há mais de 50 anos habituado com a linguagem de uma paródia da Esquerda que chamo de “a nível de”, ou “cuecona”, mas essa era uma esquerda democrática. Oficina e Arena eram amigos, trocavam suas divergências em forma de criação.

Como sou solidário a movimentos sociais que façam com que os que estão no Poder nos “representando” ajam não pelas razões de Estado, mas pela coisa concreta que nomeia seu Poder, a Cultura, fui para lá mesmo assim. Com desejo, acho que até por obrigação profissional e social, de transmitir nossas divergências em torno de um texto que parecia que não iria “bater”, e atingir nosso objetivo comum.

Nós do Oficina, por sincronia da história, estamos encenando nossa posição, diante das posições atuais que castram a Cultura, através da encenação do “Manifesto Urbano Antropófago” de Oswald de Andrade, encenado em forma de Macumba mesmo, mandinga, pra obter o que queremos dar ao mundo: o renascimento do Bixiga através de uma Praça da Paixão Cultural Urbana – que chamamos de “Anhangabaú da Feliz Cidade” – fruto de nossa luta com o Grupo Vídeo Financeiro SS. Silvio Santos, bicho humano adorável, depois de 30 anos de Guerra, nos propõe trocar seus Terrenos no entorno Tombado do Teatro Oficina, por terras da União, ou outros Poderes Públicos, para erguermos a Universidade Antropófaga, o Teatro de Estádio e o Reflorestamento do BIXIGA.

Expressamos culturalmente nosso desejo de Arte Pública através da Arte do Teatro e da Feitiçaria da Macumba.

Mas óbvio que comeremos e seremos comidos por outros Manifestos, Movimentos que visem o reconhecimento do Valor até Econômico específico do da Arte Teatral.

Fomos à ocupação, pois somos Posseiros há 50 anos do Teatro Oficina, temos uma algo em comum, mas não concordamos em assinar o Manifesto nos termos que os ocupantes da Funarte formularam.

Mas, vi o que nunca esperava ver: O prédio ocupado por artistas estava fechado com ferrolhos medievais. Pirei?!

Entrei na sala onde se realizava uma Assembleia, e no que anunciaram minha entrada na Sala, não pude deixar de perguntar: PORQUE OS PORTÕES ESTÃO FECHADOS? NÃO ENTENDI.

Numa ocupação dos SEM TETO ou do MST é normal que tomem-se medidas severas de segurança afinal são pessoas que vão morar nos lugares que tomam, sejam prédios ou acampamentos.

Mas numa “Ocupação de Cultura”, no  processo que vivemos de democratização concreta da democracia formal, as portas desta ocupação têm de estar abertas às Multidões. Mesmo aos que nem fazem Arte ou produzem profissionalmente o “Cultivo Cultural”.

Se a Polícia comparecer nesta manifestação consentida pelo Estado, seria a oportunidade de ter o apoio dos seres terrenos da Polícia ao Movimento Cultural.

A Cultura fazemos para todos, de todas as classes, idades, para nós mesmos. É enorme a responsabilidade que temos nós artistas de produzir, na batucada cambiante de ritmos da Vida, a criação de Novos Valores Comuns que são Infraestrutura em que tudo se baseia.

Esta simbiose Cultura e criação da Vida é embaçada por Religiões, Ideologias, visões partidárias que querem monopolizar a Interpretação da vida.

E temos de produzir nossa obra, nossos frutos, a partir da própria árvore que é nosso Corpo de Bichos Humanos Iguais, em antropofagia, miscigenação, com nossos semelhantes.

Na Arte do Teatro por exemplo buscamos conhecer o mundo tanto Social como Cósmico em nosso corpo, e decobrimos quanto fomos colonizados quando descobrimos nossas pulsões vitais. Então vamos espatifando camadas e camadas de Meascaras, Couraças, com que a “Sociedade Colonizadora de Espetáculos” nos civilizou.

E fazemos isso sempre juntos onde buscamos o desenvolvimento máximo do nosso Potencial Individual e Coletivo. Nessas buscas criamos a energia, o combustível, o axé que devolve a nós todos colonizados, nossa percepção de termos Poder Humano de Liberdade e Criação para agirmos desconstruindo os velhos sistemas para nascerem novos.

Percebemos, fomos nós bichos humanos que criamos Estado, Corporações, Partidos, Religiões, Ciências, Economias, Sistemas, e que cabe, a partir de nós mesmos e de nossa Arte, intervir no que foi criado mas que agora no momento, empata, congestiona, enfarta, o movimento natural de procriação viva da natureza e das máquinas que nos servem. Enfim o belo verso de Marx: as forças de produção através dos mortais reunidos, mudam as relações que emperram o fluxo das pulsões vivas.

Chegando a Funarte como diretor de, não sei contar, entre 30 a  50 atuadores presentes na peça que ensaiávamos, pedi licença para dar nossa contribuição e apoio, no meio da Assembleia que rolava pois tínhamos que voltar ao Oficina pra ensaiar naquela noite. Expliquei: estreamos dia 16 de agosto, aniversário dos 50 anos do Teatro Oficina, e estamos atrasados porque estamos ensaiando há seis meses, em virtude dos cortes públicos na Área da Cultura, sem um tostão.

Tive a sorte de fazer uma ponta numa novela da Globo, e minha idenização pela Tortura ter chegado. Com esse capital, e algum dinheirinho que pinga na Casa de Produção do Oficina Uzyna Uzona, vou juntamente com todos que tem alguma coisa no Tyazo = Grupo de Teatro, compartilhando dinheiro, comida, cama, e buscando o dinheiro que precisamos pra podermos fazer a festa que queremos fazer dia 16.

O que nos move é que estamos apaixonados por nossa criação, ela nos inspira até a criar estratégias de sobrevivência.

Abrimos nossa intervenção na Ocupacãp Funarte, cantamos a Ciranda “Tupy or Not Tupy”, do falecido grande artista gênio  popular Surubim Feliciano da Paixão, inspirada na resposta “Tupy” de Oswald à questão que a Arte do Teatro levantou para a espécie humana: Ser ou não Ser.

Apesar de alguns resmungarem “aqui não é lugar de festa mas de trabalho”, a Maioria aderiu e Cirandou.

Mas eu me atrevi a fazer comentários sobre o Manifesto dos Ocupantes, que havia lido, como uma forma crítica e democrática de conseguirmos nos juntar num texto mais eficaz tanto para o público como para o Poder conceder o que pretendemos: a reposição do dinheiro devido à área Cultural, decisivo neste momento em que o Brasil cresce e precisa do espírito Criador, inventivo, para atravessar os desafios das mudanças maravilhosas do Fim do Império Americano.

Mas quando eu disse que nós da Cultura não éramos “trabalhadores”, que vão à uma fabrica construir um carro e receber um salário mas sim “Cultivadores da Cultura”, o Tabu “Trabalhador” trouxe o inconsciente colonizado do Imaginário e do Repertório dos Gestos Clássicos do Trabalhador do século 19, dos Braços Cruzados ameaçadores dos Facistas Romanos, expelido por uma energia de bomba atômica recalcada de Ódio.

Estávamos sendo expulsos por discordarmos do Manifesto Xerox de velhas palavras, escrito sem capricho Cultural Específico.

Letícia Coura tentou puxar o “Samba do Teatro Brasileiro”, de Tião Graúna, Arroz e Flávio Rangel, mas começava nossa expulsão aos berros das “PALAVRAS DE ORDEM”.

Sons massacrantes nos fizeram sair em fila de 1, como na prisão dos estudantes da UNE em Ibiúna na ditadura militar.

Senti a Causa preciosa do Desbloqueio do Orçamento do Ministério da Cultura capturada por uma Máfia, de um dos “Hate Groups” que hoje são moda na agonia da velha Ordem Patriarcal do Capital.

A Ocupação é Autofágica. Não entra o Povo, nem a Mídia. Está restrita a um Grupo Comandado. Em vez de tocar a Funarte, fazer o Espaço Cultural funcionar como sonhamos, estudando inteligente e poeticamente estratégias eficazes, novas, que toquem os ouvidos com a sedução irresistível da Arte, vi um bando de Escoteiros Cabaços, mais preocupados com o revezamento na Cozinha que com a Cozinha Cultural do Brasil Hoje.

Neste isolamento anti-Antropofágico, repito Autofágico, cultuam a crença numa Ideologia de Almanaque que confunde a Luta da Esquerda em São Paulo, com os grupos de Skin Heads e a TFP. Estão tomados de uma fobia, d’uma Oficinofobia que não difere em nada da Homofobia. Acreditam numa verdade única que veio enlatada com as palavras “CHEGA”, “PERDEMOS PACIÊNCIA”, “ESTAMOS INDIGNADOS”. Como se alguém conseguisse a proeza de criar, na ansiedade, na indignação, no ódio, na perda da Pá-Ciência.

Estão, o que vi ontem, cultuando o Fundamentalista do Ódio. Atuam como uma Gangue que tomou o Movimento Cultural como refém, para no futuro virarem deputados e entrarem nas Gangues do Poder Público.

A Impressão que tive foi a pior possível mas boto fé, que alguns corpos-almas, que lá estavam, tenham percebido este Show de Ódio que a presença do OficinaUzynaUzona trouxe à tona e transmutem este Ódio em Amor à Vida, à Cultura, à Criação, à Diversidade.

Esta ocupação em nome da Cultura tem de abrir suas portas para todos, pois Cultura é desejo e necessidade de qualquer ser humano. E ouvir os que não estão de acordo com a forma de Ocupação. A Cultura faz parte da Biodiversidade. Sua maior inspiração é a Liberdade, a Arte de desejar contracenar com seus Contrários, sem “PALAVRAS DE ORDEM”.

É impossível um artista, um criador, que tem de inventar estratégia, valores, soluções, submeter-se às “PALAVRAS DE ORDEM” de consciências enlatadas.

O Movimento Social Cultural é Político em si, é Poder Humano, Livre, não serve á nenhuma Religião, Ideologia, Partido.

A Cultura não pode ser instrumentalizada pelo que chamam inconscientemente de “Consciência Política”.

Maiakowiski pra mim representa toda a luta da humanidade pela liberdade da Arte. Com seus versos provava, na Revolução Russa, que tinham o mesmo, ou mais valor, que as fábricas.

Em plena época do fracasso das religiões, ideologias, de todos os ismos, inclusive do capitalismo, temos a oportunidade extraordinária de ir ao encontro da ECONOMIA VERDE que, uma vez superados os Obstáculos dos Tabus Coloniais da era Industrial, chegará tão veloz quanto a Internet. Neste instante a Cultura é Ouro e existe contra ela um preconceito, percebi ontem, maior que o Racismo, a Homofobia. É preciso urgentemente que a partir de nossa criação lutemos para proclamar a Independência da Cultura, e o reconhecimento de seu Poder Incomensurável.

Escrevi nas eleições presidenciais um texto de apoio a Presidente Dilma Roussef, mesmo sentindo que na época ela como Caetano Veloso, não percebiam a importância no Governo Lula, do Ministério da Cultura potencializado em seu Orçamento pela primeira vez na História do Brasil e germinando uma Primavera Cultural para explodir no ano de 2011.

Sinto que nós, Artistas, podemos fazer ver à Presidente Dilma Roussef a importância do Orçamento do Ministério da Cultura, de que tanto nos orgulhamos na gestão Lula, Gil, Juca, para sua estratégia MARAVILHOSA DE ERRADICAÇÃO DA POBREZA NO BRASIL.

Sem criatividade, invenção, espírito científico e artístico, este objetivo não terá pulsão das multidões para acontecer.

O Entusiasmo do povo brasileiro pelo futebol, pelo carnaval, pela criação da cultura que produz é o PRÉ-SAL do FIM DA POBREZA DE CORPO E DE ESPÍRITO.

Desde 1968, foram os índios que nos ensinaram, a ocupação é uma forma de democracia direta legítima, sou inteiramente a favor, mas que não seja feita dentro de um cárcere.

Libertemos a Cultura das suas Prisões.

A dos Odiadores na Prisão Funarte.

A dos cofres do Ministério da Fazenda.

José Celso Martinez Corrêa

Sampã,  29 de julho de 2011

CAMPANHA PARA OS 35 DA 1ª TURMA IREM A PARATY PARTICIPAR A MACUMBA ANTROPÓFAGA

1 de julho de 2011

Teatro Oficina e Universidade Antropófaga recebem colaborações através do site de crowdfunding Catarse.

Teatro Oficina Uzyna Uzona, acaba de dar o primeiro passo para seus próximos 50 anos de história: esta recebendo em seu Terreiro Eletronyko a Primeira Turma da Universidade Antropófaga, um dos pilares do AnhangaBaú da Feliz Cidade.

O primeiro rito de encenação da nova montagem do Oficina “Macumba Antropófaga”, inspirada no Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade acontecerá no próximo dia 10 de julho em Paraty, apresentação que integra a programação da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano de 2011, cujo homenageado será o próprio filósofo da antropofagia.

Todos esses novos aprendizes anseiam se expressar nas terra de Paraty (cada um em sua área de saber – do Teatro, da Dança, do Circo, do Canto, da Musica, do Vídeo, da Luz, do Figurino, da Arquitetura Cênica, da Produção, da Culinária, do Direito) onde poderão comer e serem comidos pela literatura antropófoga. Todos estão ensaiando diariamente no Terreiro Eletrônico para compor esse novo coro multidão!

Neste momento, seria inviável para a companhia, que já abraça 22 integrantes nesse projeto, alimentar, abrigar e transportar mais 35 pessoas da Universidade.

Convocamos a todos os amantes da arte da antropofagia e da macumba de Oswald a colaborarem com a formação e desejo desses “atletas afetivos” da 1ª Turma da Universidade Antropófaga, recebidos no Oficina no dia dos namorados de 2011.

Temos um gasto estimado que compõe o total de R$7.000,00 (entre transporte, hospedagem e alimentação), lembrando que nenhum destes aprendizes conta com remuneração ou ajuda de custo e estarão lá para somar com seu talento.

Solicitamos o valor de R$5.500,00 para ajudar a compor total descrito acima, e como contrapartida são oferecidos objetos de desejo dos amantes da arte do Oficina, ethernizados em forma de programas antigos, CDs, DVDs e camisetas.

Colabore através do link:

http://catarse.me/pt/projects/188-oficina-e-uni-antropofaga-na-flip

Doações de R$ 15,00 a R$ 500,00.

Cacilda Becker sobre o TBC no Jornal da Tarde de 1973

17 de junho de 2011

C H E G A! Pra dizer, ver e ouvir

25 de maio de 2011

Sem rodeios, indo direto ao assunto: atualmente Ze Celso Martinez Correa é o artista mais importante e significativo para as Artes Cênicas Brazyleiras. Ele está no ápice.

Está no topo da escala qualquer que mede as contribuições de um cidadão, de um criador para o desenvolvimento de seu país. São 53 anos de vida imersa na Arte. Pensando, buscando, errando, aprimorando, fazendo movimentos que a olhos leigos parecem “repetições”. As repetições de um velho. E no entanto esses pequenos andares circulares (da roda sagrada) acontecem às vezes trazendo transformações imperceptíveis, às vezes subindo em estrondosa espiral.

Esse mesmo criador que segue com idéias e obras cada vez mais geniais, capazes de transformar a sociedade,  não consegue ser ouvido por outros que também estão no topo. Não consegue chegar na Chefe da Política Brazyleira para expor seu pensamento e seu Ardor, que fazem toda a diferença em meio aos acontecimentos gerais.

É algo chocante esse descaso por alguém do mais notório saber, do mais fino talento.

Vivemos no país do “pessoal”. Se se tem relações, tem aquele “com quem falar”, consegue se avançar, mesmo que a passos curtos e titubeantes, ao sabor dos humores pessoais, rumo à realização.

Se não tem, estanca no 4º Escalão Emperrado do Império. Ali, ao rés da tal escala de valores qualquer, onde estão (infelizmente) os Autômatos da Burocrácia, ergue-se uma parede de Aço, uma barreira de Fogo. Se não insistir muito (e às vezes mesmo assim) elas são intransponíveis. É um exercício para poucos bem dotados.

É o que acontece , num implacável moto continuum da área artística: sem aquela mão paciente e solidária que te leva até o gabinete central, o ocupante desse mesmo gabinete nem sequer toma conhecimento de sua questão. O filtro acontece antes e vai-se saber por quais critérios.

Ao menos é o que aparenta na situação vivida ontem,  23 de maio de 2011, quando 15 minutos depois de um telefonema para checar o recebimento de um email (sim, ele chegou e seria impresso e entregue ao assessor pessoal para despachar com a presidenta e enviar uma resposta), o Assessor do Assessor responde de forma absolutamente mecânica: o assunto foi encaminhado  ao órgão cabível para atender a Cultura, o Minc. A impressão que fica é que sequer foi lido, pois logo no cabeçalho estava dito que a mesma mensagem havia sido enviada à Ministra, não precisava enviar de novo! Pra que encaminhar um assunto que já estava lá?

O mais impressionante foi a agilidade: em 15 minutos o email foi impresso, um mensageiro (tipo aquele da Maratona Grega) atravessou corredores extensos com ele em punho, adentrou ao gabinete da Presidenta, que largou o que estava fazendo, leu-o expressamente e por fim despachou: encaminhem para o Minc. Querem nos fazer crer q isso aconteceu? (Dramaturgicamente tratamos o assunto como, um Épico?  Ou uma tragicomédia?).

Vivemos no país das aparências. Parece que valorizamos isso (o bom e o belo), parece que combatemos aquilo (o feio e o mal). Dicotomias e maniqueísmos para lá, o mundo e sua consciência jovem de radical transformação pelos novos acessos à produção de Informação, de Arte, de Cultura, de Ciência e Invenção, me leva a engrossar o Coro dos que dizem:

C H E G A

Pacificamente digo Chega.

Chega de pequenos e mesquinhos pensamentos

Chega de movimentos de marionetes capengas

De ter de mexer os pauzinhos pra balançar os bracinhos

Chega de escutar sem ouvir

Chega de ver sem enxergar

Chega de falar sem dizer

Falta estética

Falta conteúdo de vida pulsante

Falta tesão de serestarfazer

É no mínimo destoante e anti natural esse descaso por criadores de valor nacional.

Em mais de 20 Anos na Produção da Arte do Brasil, e hoje trabalhando com Zé Celso, a melhor cabeça-coração-alma das Artes Cênicas em ação, tenho praticamente que implorar para ter um projeto atendido.Vale mais o sistema de convencimento do Valor Daquilo do que o Valor Daquilo em si próprio, na sua essência.

O movimento deveria ser inverso.

As autoridades brasileiras deveriam vir até Zé Celso e fazer-lhe Oferendas.

Aquela velha e desgastada máxima plantada na Ditadura, de que o Brasil é um país de jovens, equivocadamente formou uma consciência pueril, infantilizada, rasa.

Toda Cultura parte, em seu princípio universal, do abstrato para o pálpavel. E todas, sem exceção, têm um tênue fio que as liga a ancestralidade. Em qualquer local onde se reúnam seres humanos,  em tribos, clãs, cidades, campos, templos, comunidades e etc, ao menos um ponto é comum: a Sabedoria dos Mais Velhos é que governa. A palavra de alguém que tem a Sabedoria do Tempo (ao mínimo) precisa ser ouvida, sob o risco de fazer sucumbir todo um grupamento humano.

No Candomblé, no Budismo, no Judaísmo, no Islamismo, no Hinduísmo, entre os Celtas, Japoneses, Chineses, Aborígenes da Nova Zelândia, Esquimós, Europeus: Aquele que vive tanto e com tanta obra realizada é quem mais sabe e no atual momento de sua trajetória está com Poder e Clareza para indicar rumos, dispor de instrumentos que podem melhorar a vida de quem vem depois dele.

Esse ancestral conhecimento sequer é cogitado pela sociedade brasileira e seus governantes. Ser Velho aqui é TABU.

E por ser TABU é mais fácil e cômodo taxa-lo de louco, de delirante, de senil, do que ouvi-lo, ve-lo e deixa-lo dizer.

Só os que sonham e se apaixonam pela Vida tem o Phoder Humano de transforma-la. Uma phala dessa assusta a parda burocrácia dos infindáveis trâmites. Que nos diz que temos de resumir o currículo de uma companhia de Arte  com 53 Anos de criação em 2 páginas (tamanho máximo permitido) para poder “caber” num Edital de Montagem de Peça Inédita.

Quero dizer C H  E G A para isso.

Chega para esse eterno movimento que não sai do lugar, enroscado numa teia estratificante ao invés de irradiante como é a web  de nossos tempos.

O Brasil precisa agradecer e Bater Cabeça para seus grandes criadores.

Zé Celso está topo dessa lista e deve ser o 1º a ser permanentemente incentivado, adotado, financiado, enaltecido pela Política Cultura. E depois de abrir as portas e mentes, outros Grandes Criadores espalhados pelo País de Dentro devem também ser reconhecidos e contemplados pela suas importâncias e influências capitais na sociedade, também agentes de transformação de Vidas de cada um e de muitos.

Sou testemuha.

Sou ouvinte de depoimentos. Dezenas, centenas deles, sobre a Real transformação que a Obra de Arte do Te-Ato, filosofia e técnica criadas por Ze Celso e pela Cia Oficina Uzyna Uzona, provoca em cada indíviduo.

E lá no alto, nessa altura do jogo da Arte, as autoridades não o ouvem.

De novo o ranço da Ditadura, que desperta o medo de que ele fale sem pudor, de que mostre seu corpo sem pudor. Ou mesmo de que se exponha e exiba o Ser Humano na sua Natureza.

Chega de tanta fraqueza

É inevitável que com as respostas que ouço diariamente, vindas dos vários escalões das várias esferas do poder público brazyleiro, eu tenha de fazer coro aos espanhóis e também me afirmar:

Indignada!

Pacificamente indignada com

O descaso

O abandono

A ausência de plano

A perda do tesão

O vazio sem sonhos

A imobilidade

A passividade diante da vibração incessante

O automatismo

A não informação

Abram seus sentidos e percebam que somos nós aqui e agora que fazemos a História

Com nossos atos e atitudes, nossos movimentos e concretudes.

Hoje, ouvir sobre um plano, um projeto, um sonho é um privilégio de poucos.

Lula soube faze-lo ao ouvir Miguel Nicolelis contar seus experimentos e afirmar que é possível realizar o sonho (penso que Nicolelis deve ter feito um tour de force para chegar ao presidente).

Lula ouviu porque é um antropófago, que se interessa pelo que é dos outros. Ele instintivamente se alimenta devorando o que melhor se apresenta. É capturando, engordando, cozinhando, picando, temperando que ele nos preparou novas comidas enquanto era o Chefe das tribos e as ofereceu como Biscoito Fino para serem por todos devoradas.

Esse espírito é inato ao brasileiro. É complicado o raciocinio antropófago? Talvez para os burocratas lineares ainda parados em Aristóteles. Mas já é mais fácil para os constelacionais navegantes do mundo irreversivelmente globalizado. Comermos e sermos comidos é o que acontece  todo tempo com quem está em comunicação e conexão.

Zé Celso, comendo Oswald de Andrade, teve a Sabedoria de sacar qual é a movida e também a generosiade de dividir. Por isso tanta insistência no Teatro de Estádio, na Universidade Antropófaga, na Oficina de Florestas, que para ouvidos moucos parece uma boba repetição.

Nesse conjunto está o legado de um gênio (quer ele goste ou não do termo). E o mais importante: num momento em que ele está Vivo e Vitalizado, Vivíssimo para mostrar como seguir adiante, para ensinar como criar os instrumentos. É um momento crucial que não pode ser desperdiçado, porque se isso acontecer quem tem o Poder de impulsionar a genialidade brasileira vai dar um atestado de ignorância e estupidez.

Hoje há uma real possibilidade de transformar o Presente, de fazer a Virada, que assim se apresenta:

De um lado o grupo Silvio Santos quer se desfazer (finalmente e depois de quebrado pelo capitalismo exarcebado) do terreno que cosmicamente pertence à Arte e compõe o cenário do Oficina. De outro lado a Prefeitura de SP (à primeira vista tida como o elemento mais fraco da tríade pública formada ainda pelo estado e união) tem a moeda forte: outros terrenos na cidade para serem trocados por construções de creches. De outro lado temos o bairro do Bixiga na Periferia do Centro de SP, que está sedento por equipamentos públicos, pela creche que foi anunciada como Objeto de Desejo do projeto do prefeito. De outro lado tem a Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona para completar a Obra de Lina Bardi, para formar novas cabeças com novas fórmulas, comento do Te-Ato criado por Ze Celso. De outro lado tem o movimento artístico paulista, que para o Oficina se volta querendo aprender sobre tudo isso, querendo seguir esses passos rebolantes, como antes já comeram Meyerhold, Stanislavski, Grotowiski, Piscator  tantos outros gênios das Artes. De outro lado há o público, que descobre a Vida além da telinha da TV, com o poder entrar sem ter de pagar um terço de seu salário num ingresso. Um público de uma vitalidade impressionante. De outro lado há os comerciantes, prestadores de serviços, artesãos que vagam por essa periferia, em sub condições de informalidade e perdendo a concorrência implacável das megas corporações. Ali todos podem se profissionalizar, virar cidadãos.

São tantos lados que de fato na geometria não podemos tratar de figuras pontiagudas que se encontram nos cantos, mas sim de algo mais elementar: o círculo, a roda que traz em si concentrada a energia cósmica. E redondo são os estádios. E na roda giramos todos, cada um passando pelo lugar antes ocupado pelo outro.

É disso que Zé eu e todos que dizem C H E G A

Querem falar, ser ouvidos e vistos

Tem alguém aí do outro lado pra contracenar nesse Ato?

Sampã, 24 de Maio de 2011

Ana Rúbia de Melo

Produtora, fazedora de sonhos, realizadora e “lust for life” (com tesão pela vida)

ARDOR

AMOR

Na FELICIDADE GUERREIRA

Sobre o TBC, na FSP

20 de maio de 2011