Arquivo de março de 2009

Bacantes 2009 em Araraquara – Partida e Primeiro Ensaio

sábado, 28 de março de 2009

27 de março de 2009

Dia do Circo

Dia mundial do Teatro

Dia do nascimento de Lúcio Costa

Sylvia Prado e Ricardo Costa preparam o figurino do Satyro Rodrigo Andreolli

Sylvia Prado e Ricardo Costa preparam o figurino do Satyro Rodrigo Andreolli

Sylvia Prado ajeita o manto de Zeus (Hector Othon)

Sylvia Prado ajeita o manto de Zeus (Hector Othon)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Partiu o Carronaval de Dionisios para a primeira viagem do ano, vindo realizar o rito do início do Teatro, As Bacantes, de Eurípedes, em Araraquara, nas grandes edificações do Sesc dessa cidade, projetado por Edson Elito.  Sobre Lúcio Costa é informação de Catherine Hirsch, que com Zé Celso e Marcelo Drummond transformou As Bacantes, a tragédia, em Bacantes, a Tragycomediorgya. Ela acompanha o Carronaval e traz de literatura para a estrada alguns jornais. Dentre eles o Território Livre, jornal estudantil trotskista que em sua edição atual publica texto sobre Oswald de Andrade e o Oficina. Traz também a última edição da Causa Operária, com entrevista de Pedro Stedile.

Partida da Rua Jaceguai 520 para Aracoara, Morada da Claridade

Partida da Rua Jaceguai 520 para Aracoara, Morada da Claridade

 

É a última leva do Tyaso OficinaUzynaUzona essa que saiu de São Paulo, de ônibus, para encontrar a equipe de iluminadores, cenógrafos, técnicos de som e de video, que prepara há dois dias a montagem em Araraquara. O primeiro destino é o Gran Hotel Morada do Sol. Depois do tempo de um breve descanso segue-se para as instalações do Sesc.

No ônibus está Camila Mota, atriz, assistente de direção, com seu joelho direito inflamado do ensaio da noite anterior. À noite, no primeiro e último ensaio na pista armada no Sesc, ela vai permanecer na banda, de perna pro alto, cantando. No dia seguinte, se não der jeito, pretende tomar uma injeção de cortizona bloqueando a defesa do corpo. Recurso último de todos atores para também outros males, como a falta de voz, a cortizona é o atentado final ao corpo para obtê-lo inteiro de volta.

Depois de mais de uma hora de atraso, chega Pascoal da Conceição, o governador tebano Cadmos, pai de Agave e avô de Penteu, que estava preso na avenida 23 de Maio por conta de mais uma vítima fatal do trânsito paulista que esperava pelo IML. Pergunta se estão todos pensando em seu lanche para depois do ensaio, como mandara a produtora Ana Rúbia em email no dia anterior. “Se eu que sou governador recebi esse tratamento, imagina o povo.” Não haveria essa dificuldade. Mais tarde o grupo saberia que a cantina do Sesc estaria aberta até às 21:00hs servindo janta. O ensaio corrido estava marcado para inciar-se às 10 da noite.

Adriana Viegas (Autônoe) e Hector Othon (Zeus) no ônibus a caminho de Araraquara

Adriana Viegas (Autônoe) e Hector Othon (Zeus) no ônibus a caminho de Araraquara

Rodrigo Andreolli e Valério Peguini

Rodrigo Andreolli e Valério Peguini

 

 

 

 

 

 

 

 

A viagem, tranquila, leva em torno de cinco horas. O desembarque no Grand Hotel sem estardalhaço distribui os viajantes pelos quartos para o breve descanso e depois as vans levam o grupo para o Sesc aonde ainda é possível jantar. É preciso esperar o término de um show que está rolando próximo à pista das Bacantes para poder ocupá-la. A montagem de cenário, luz, video e som está acabando, momentos antes da hora marcada para o início do ensaio. Às 21:30hs começa o movimento dos camarins. A preparação dos atores recém-chegados leva muito mais tempo do que a suposta uma hora. O ensaio começou a correr a 0:30 hs, já no dia da estréia. E levou 8 horas. A peça está com 5. Não foi um ensaio corrido, mas também não tão parado, o otimismo de Camila contava menos de dois pra um o coeficiente do tempo de ensaio para o temp de rito. Há muito tempo os ensaios corridos no Oficina tem intervenções, não apenas do diretor, mas daquele que julgar necessário interromper. Em um ensaio em que as engrenagens estão recém-colocadas na máquina a quantidade de intervenções aumenta, e nesse específico, além dessas circunstâncias, o diretor, sempre caprichoso, tornou-se ainda mais à medida em que avançavam as horas a despeito do movimento contrário de técnicos e atores que pretendiam passar por cima da grande quantidade de erros cometidos naturalmente pela falta de tempo para preparo.

A pista armada na área de convivência do gigantesco Sesc Araraquara

A pista armada na área de convivência do enorme Sesc Araraquara

 

Normalmente um espetáculo do porte de Bacantes, com equipe de aproximadamente 50 pessoas, realizado em um local desconhecido até as visitas técnicas para definir as demandas da máquina a ser montada, teria de ser ensaiado de duas maneiras, em dois dias diferentes, um para o ensaio técnico, em que luz, video, som e a movimentação dos corpos em cena se encaixam, e outro para o corrido. De modo ideal ainda haveria um dia de descanso antes da estréia. Aqui o que há é apenas um ensaio e a estréia na sequência.

Odara Carvalho descansa, não o suficiente

Odara Carvalho descansa antes do início do ensaio. Não o suficiente.

As bacantes Fabiana Serroni e Anna Guilhermina na camarinha

As bacantes Fabiana Serroni e Anna Guilhermina preparam-se na camarinha

 

 

 

 

 

 

 

Diretora de cena Elisete Jeremias            

Diretora de cena Elisete Jeremias
Marcelo Drummond (Dionisios) e Pascoal da Conceição (Kadmos) alogam-se

Marcelo Drummond (Dionisios) e Pascoal da Conceição (Kadmos) alongam-se

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Às seis e meia, enquanto o diretor ensaiava Agave, Cellia Nascimento, na última cena, procurando por fim à interpretação por vezes abstrata da atriz cantora, o mau humor se generalizara. Depois esse ensaio revelar-se-ía de impacto profundo na atuação da atriz, que faz um dos mais difíceis papéis e pôde ser pouco ensaiada em São Paulo. Assim, quase de manhã, o diretor pedia a Cellia que não depositasse a cabeça de Penteu no lugar dos pés, quando a mãe tenta recompor o corpo do filho estraçalhado em saco preto de IML.

Surgiram reações exageradas de cansaço, que “podem até trazer alguma satisfação no momento mas depois tornam-se só arrependimento” como observou Letícia Coura, coriféia da voz. O fato é que o cansaço no teatro é apenas mais uma barreira a transpôr, normalmente não a mais difícil mas sim mais gratificante. Esses momentos de estilhaço do cansaço nos ensaios são nascedouros de cenas belíssimas e às vezes são o único perídodo frutífero de um ensaio, em que por exemplo, houve muita dispersão.

Get the Flash Player to see the wordTube Media Player.

Amanheceu. O sol nasceu em sua morada e visitou o edifício do Sesc enquanto Penteu virava Apolo e se juntava a Pan e Dionisios no Olimpo, Cosme, Damião e Doum. Semele, Anna Guilhermina retorna de seu túmulo trazendo o cordão umbilical dourado religando o coro. Antes ainda chegaram os primeiros dos inúmeros funcionários da casa, para o sábado de trabalho. Alguns do tyaso temiam jocosamente a perda do belíssimo café da manhã do hotel. O diretor encerra. “Amanhã ensaiamos o agradecimento”. As vans esperavam pelo grupo no estacionamento para o sábado de descanso, e estréia.

quarta-feira, 25 de março de 2009

teatroixx1

adoração…!

quarta-feira, 25 de março de 2009
adoração

adoração

quarta-feira, 25 de março de 2009

satyroynynfa

coribantes

terça-feira, 24 de março de 2009

pandeiroi

que negócio é esse?

terça-feira, 24 de março de 2009

priapo

Ensaio Aberto Bacantes 2009, dia 23 segunda-feira

sexta-feira, 20 de março de 2009

bacantes231 ensaio aberto em 23 de março de 2009

 

 

Dia 23, segunda feira,

dia de São Jorge e de nascimento e morte de Shakespeare,

o Teat(r)o Oficina,

às 20hs,

realiza um ensaio aberto de “BACANTES 2009”,

de Eurípedes,

recriado na lyrica brazyleira,

a moda de Ópera de Carnaval da TragyComédiOrgya.


Um dos maiores sucessos do OficinaUzynaUzona, estreado em 1996, gravado em 2001 em DVD recém lançado pela “TRAMA”, reestréia no SESC de ARARAQUARA dias 28 e 29 deste mês.

“BACANTES” foi escolhida como peça puxadora da 1ª DIONIZÍACA : FESTIVAL VIAJANTE DO TEATRO OFICINA UZYNA UZONA 50.

O Rito de Origem do Teatro, “BACANTES” e as peças encendas em 2008, ano do cinquentenário do Oficina: “VENTO FORTE PARA UM PAPAGAIO SUBIR” de Zé Celso, “TANIKO”, nô japonês de Zen Shiko recriado na forma de NôBossaNova TransZênico, “CYPRYANO Y CHANTALAN” de Luís Antônio Martinez Corrêa, “OS BANDIDOS” de Schiller e “ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR” ou “CACILDA !!” a ser montada neste ano, 40 anos da morte de Cacilda Becker, constituirão o repertório programado para esta DIONIZÍACA VIAJANTE.

Assim como Dionísios retorna com seu Tyazo a Tebas, sua cidade natal, José Celso Martinez Corrêa, fazendo Tirésias, escolheu sua Araraquara (“Aracoara” em Tupy, “Morada do Sol”) para com o Dionisios Marcelo Drummond, à frente da Cia. TeatroOficinaUzynaUzona, receber o impulso inicial para que este desejo de viajar o Brasil e o Mundo, neste tempo de Crise, se realize.

A cultura dionisíaca veio com Shiva da Índia e estabeleceu-se na Grécia criando a Era da Civilização Minóica, do Minotauro, o Touro Garanhão: o deus Dionísios. Ariadne deu o fio do Labyrinto para Teseu, por quem estava apaixonada, e este matou o Minotauro, pondo fim à esta Era, inaugurando a Civilização Prometeica, origem da Ocidental. O Touro petrificou-se em Wall Street, mas neste tempo de queda deste muro, Perestroika do Capitalismo, o Touro despetrifica-se, escapa, não se deixa capturar mais. “BACANTES 2009” traz o Eterno Retorno das Civilizções recalcadas bárbaras, agora tecnizadas, emergindo nos escombros das ideologias, religiões, utopias e fundamentalismos.

O Globo em Crise pode estar próximo à uma 3ª Guerra Mundial se houver a repetição do Ciclo da Especulação Financeira e a manutenção das máscaras caquéticas atuais da representação da Sociedade de Espetáculos. Mas a própria Crise parece ter trazido uma nova coragem de ser, um agir produtivo, pragmático, sem máscaras, trazendo à tona um grande amor pela ecologia, pelas espécies em extinção, como a humana, manifestando-se no amor popular hoje, à Arte e à Cultura. Sente-se um novo comportamento humano.

O Grito de Carnaval do Rio do início do Século XX era o de Dionisios: EVOÉ! Este ano 09, do século XXI, ressucitou nas ruas o Carnaval carioca como um dos muitos sintomas da irrupção de forças de paz e de transformação.

Nas “BACANTES 2009” estamos reencontrando antigas forças civilizatórias renovando-se no Teat{r}o no cultivo deste Orixá: Dionísios, de suas Bacantes e seus Satyros, entidades biodiversas dos povos que amam a mistura, a miscigenação, a antropofagia, a dança, o canto, o transe, a arte de viver no escândalo do estar, ser, aqui agora.

O prazer deste Rito nos contamina, nos encoraja a festejar estes tempos tão difíceis mas tão plenos de oportunidades de mudança. BACANTES em grego quer dizer PARTICIPANTES. Queremos partilhar essa nossa Alegria Prova dos 9 com o público.

Ensaio Aberto ao público Bacantes 2009.
Segunda-feira, 23 de Março, 20:00hs
Preços: 30R$ / 15R$(meia-entrada)

O ioga e a consciência testemunha em Bacantes

sexta-feira, 20 de março de 2009

por Bruno Castro

Anna Guilherma, que viverá Semelle em Bacantes, chega ao Teat(r)o pontualmente às 17h para o início dos ensaios. “Agora não dá pra fotografar, não. Preciso fazer um pouco de ioga pra dar uma relaxada”, responde docemente após o convite para uma foto de divulgação da peça. E no Oficina é assim mesmo, o ioga é quase que sagrado.

11

“A prática melhora nossas atividades teatrais, integra as pessoas e nos dá maior poder de concentração”, diz a atriz Patrícia Winceski, professora de ioga desde 2003. E continua: “Ele faz com que a gente jogue fora tudo que atrapalhe nossa potencialidade”.

Para Lucas Weglinski, Ampellos em Bacantes, os exercícios antes dos ensaios permitem que os atores atinjam “um grau de concentração criativa que conecta todos para iniciar o rito, seja ele qual for”. Já Cassandra Melo, que faz câmera e coro na peça, é mais enfática. “O ioga é uma maneira de exercício para o corpo e nos ajuda a desenvolver os movimentos”.

Em “Os Sertões”, a prática já era comum no Oficina. “Lembro que a Luciana Brites começou, depois a Juliane Elting deu continuidade e hoje é a Patrícia que leva”, conta Naomi Sholling, atriz e cantora lírica do grupo. Ela, que dará vida a Hino em Bacantes, diz que atualmente o ioga é feito de forma pessoal. “Mas eu prefiro quando nós fazemos juntos, pois acho que melhora no entrosamento da equipe, nós ficamos mais conectados”.

“Realmente ficam”, garante a professora Winceski. “Com a prática, nós unimos nosso Deus interior, nossa essência individual, o Atman, com o Deus universal, o Paramatman”, explica. “A consciência testemunha é o ator e o espectador ao mesmo tempo que contemplam o personagem e o espetáculo .  Assim, o yoga nos ensina a nos desprendermos de nossos papéis, dando-nos a liberdade de brincar com eles, usando qualquer máscara, sem nos identificarmos com elas.  O teatro então como a vida, torna-se uma gostosa brincadeira divina.

E a brincadeira divina, ou Leela para iniciados, encontra em Bacantes um lugar seguro. “O próprio Dionysios faz o jogo, traz a concepção do ioga dentro de si, porém, ele busca que todos aceitem a sua divindade interior”, afirma Winceski. “Bacantes é a celebração do Leela, do Deus da alegria, do entusiasmo. E a alegria nada mais é que a prova da existência divina em nós”, empolga-se a professora.

O auxílio para a percepção e fluência dos personagens é uma das benfeitorias que outros atores destacam. Além disso, ressaltam também a maior facilidade para uma troca da consciência, de acordo com Weglinski, “mecânica e mental, por uma espécie de inconsciência ativa e transformadora”.

Variando de acordo com a disposição dos atores, a duração diária vai de trinta minutos a uma hora. “Em Bacantes, que trabalha o transe, o ioga é essencial pra despir armaduras e máscaras e chegar ao corpo mágico com toda a sua potência”, finaliza Lucas Wenglinski.

Músicas de Bacantes nos ensaios

quinta-feira, 19 de março de 2009

Raiva da Cachorra

Cadméa

Quem é quem é

Navio Humano

A Vespa da Intriga

Qua Qua Qua

Bacantes : 28 e 29 de março de 2009, em Araraquara

quarta-feira, 18 de março de 2009