Arquivo de junho de 2009

Banquete em sessão especial amanhã – entrada gratuita !

terça-feira, 30 de junho de 2009

Amados amantes

Amanhã às 16h o Oficina apresenta uma sessão especial de “O Banquete” de Platão, Sócrates e Zé Celso.

O espetáculo estreou na semana passada com noites inesquecíveis de catarse, vinho e Eros.

Com patrocínio da FUNARTE, “O Banquete” de amanhã terá entrada franca e taças de vinho vendidas a R$5 a cada cantada.

Venham com ardor
para esta tarde noite de amor

IO!
EVOEROS!

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Estréia do Banquete em São João. Hoje tem o segundo, às 21:00h.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Lava-pés e Zeus recebem o público

 

> para todos os vídeos transmitidos na estréia

O Banquete Estréia

segunda-feira, 22 de junho de 2009

banquete_flyer_2

Caderneta de Campo interditada na TV Cultura

sábado, 20 de junho de 2009

caderneta

Caderneta de Campo é um vídeo realizado em 1983 com a parceria da Fundação Padre Anchieta e do Teatro Oficina, quando o vídeo apenas surgia como meio de expressão no mundo. Resultado do trabalho sobre o poema encenado “Santeiro do Mangue” de Oswald de Andrade e a peça Ana Clitemnestra, de Carlos Henrique de Escobar, ficção que traz Ana e Euclides da Cunha como personagens principais o vídeo foi rodado nos estúdios da fundação e levou o grande prêmio do primeiro Festival Videobrasil mas jamais foi levado a público na TV Cultura. Recentemente, tendo o pedido de liberação do uso de imagens da Caderneta para exposição no Itaú Cultural negado, o diretor José Celso ficou sabendo da interdição e escreveu a seguinte carta:

Eu, José Celso Martinez Corrêa, venho como Presidente da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, junto ao Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta, requerer a revisão de sua interdição do Programa “Caderneta de Campo”, prêmio de melhor vídeo do 1º Festival de Video de São Paulo, interdição esta feita por este Conselho, há 26 anos atrás, em 1983, por nós ignorada até ontem, dia 17 de junho de 2009. 

Foi feito por esta Associação um pedido a TV Cultura de imagens para uma Exposição no Itaú Cultural, em torno de minha pessoa enquanto artista. 

Os encarregados destes trabalhos, com muita gentileza, nos atenderam e cederam imagens de meus trabalhos, exceto do video “Caderneta de Campo”. Nossos colegas de trabalho de comunicação da TV Cultura, num email de confirmacão de cessão de todos nossos pedidos nos informaram de uma excessão: 

“Lamentamos informar, mas a diretoria da Fundação Padre Anchieta decidiu não liberar o programa “Caderneta de Campo” para a inclusão na Exposição do Itaú. O veto à exibição deste programa trouxe grandes problemas a esta instituição, e não há interesse em reavivá-lo.” 

Nossos companheiros trabalhadores desta área na TV Cultura, de quem ficamos amigos por sua nobreza no trabalho, entretanto nos rogaram a compreensão para esta circunstância, mas não podemos neste ponto atender esse pedido, porque realmente não compreendemos nada.

Nem sequer sabíamos que o video estava interditado. Estranhávamos que o mesmo nunca tivesse sido exibido. Muitas vezes me dirigi, principalmente a Paulo Markum, pedindo que exibisse o vídeo, alegando minha incompreensão por não o tê-lo visto jamais programado na TV Cultura.

Esta informação ontem passada, depois de mais de duas décadas e meia, tempo de prescrição de pena para um assassino, nesta era em que a democracia no mundo inteiro emerge na crise lutando cada vez mais por sua afirmacão de liberdade, é pra dar risada! 

Até Cuba hoje pode entrar na OEA, pois foi considerada descabida a manutenção de uma interdição por relações daquele país com uma potência que nem mais existe, a URSS.

É um coágulo no fluxo da liberdade nesta emissora esse velho impedimento. Isso dá Cancer. 

Pedimos a revogação desta arcaica e até então ignorada proibição.

Por toda admiração que temos aos trabalhos desta TV do Governo do Estado de São Paulo e por confiarmos em seu crescimento infinito, na conquista da cultura, educação, na formação democratica da liberdade no Brasil, é que solicito esta liberação. 

Liberdade Liberdade 

Abre as asas sobre nós 

José Celso Martinez Corrêa 

Viva a República”

Ensaios do Banquete

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Na segunda fogueira de Junho – dia 24
quarta-feira
21:00hs 
noite de São João ,
estréia o “Bori de Pratão”,
o Banquete de Platão encenado pelo Teatro Oficina Uzyna Uzona
oferecido a Eros.

 

Pentheu, Pausânias e Aristogiton y Harmódio ensaiam – videos MD

 

Aristogiton y Harmódio e a flauta

[+ videos ensaios]

Despejo de um embrião de democracia

terça-feira, 9 de junho de 2009

A luta é tão desigual que a possibilidade de vitória deve nos encorajar a agir. Nós da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, nós, amigos do Oficina, nós que travamos nesta crise o mais que necessário e oportuno combate pela preservação e ampliação das conquistas do Meio Ambiente. A Ecologia Urbana está ameaçada : um espaço de Democracia nos Baixos do Minhocão em frente ao Oficina, justamente que reinterpreta esta obra fatídica da ditadura militar, “O Elevado”, que levou o nome do ditador Costa e Silva, quase a desintegrar inteiramente o tecido social do Bairro Umbigo de São Paulo, o Bixiga. Luta que neste momento de Crise, é oportuna historicamente e se dá em toda face da terra, para impedir guerras, terrorismos, ismos e mais ismos, e fazer do mundo um Pomar, um Jardim habitável, respirável e até naturalmente cheiroso, diante de tanta Brutalide.

A área do Minhocão em frente ao prédio da Jaceguay 520, faz parte do ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE, o complexo Urbano pelo qual a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona luta há quase 30 anos. A área dos Baixos do Minhocão está neste projeto, destinada à criação de um dos nossos maiores arquitetos urbanistas: Paulo Mendes da Rocha. Uma ÁGORA, no sentido grego do termo, de espaço iniciador histórico da DEMOCRACIA, ocidental.

Um espaço público para o povo do Bexiga, São Paulo, e porque não do Mundo, encontrar-se e ter em suas mãos o destino do Bairro, Umbigo de uma das maiores Metrópoles do Planeta Terra. Talvez a mais carente de VERDE, a mais careca, a mais sacrificada pela especulação imobiliária no Brasil e no Mundo.

O Espaço tem atendido, atualmente à necessidade crescente do Oficina de ter um espaço onde possa guardar material cênico, exclusivamente das peças que estão acontecendo na Pista do Teat(r)o. Alugamos um Depósito na Rua São Domingos, para depósito de material cênico de todas nossas peças, mas é sempre necessário ter próximo o material que entra nas cenas no dia. Além disso tem atendido outra necessidade, mais importante ainda, a do enorme público que frequenta o Oficina, de um espaço para convivência, para alimentar-se, beber, conversar, estar.

Traz ainda a possibilidade de povoar, trazer alegria, para a região solitária e mal iluminada que ronda o Oficina, em meio aos escombros do Grupo SS, como aconteceu com o maravilhoso trabalho dos SATYROS na Praça Roosevelt.

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Esboço de Paulo Mendes para a Ágora, clique na imagem para ver o desenho original

 

Ágora aberta ao público no dia do cinquentenário do Oficina, 28 de outubro de 2008

Ágora aberta ao público no dia do cinquentenário do Oficina, 28 de outubro de 2008

Acabei de fazer o prefácio de um livro sobre a Tropicália, “BRUTALIDADE JARDIM” (Brutality Garden) escrito por um americano professor de literatura brasileira na Tulane University em New Orleans, em que me foi revelado o termo HOMOSOCIAL, sem conotações diretamente sexuais, mas sim, Políticas. Os americanos na onda do CHANGE que elegeu Obama, trabalham a AFETIVIDADE como uma categoria Política. Aliás o Obama com sua elegância, delicadeza, demonstra em si o poder desta categoria nova na Política com P maiúsculo: o AFETO.

A ÁGORA é um lugar de exercício da POLÍTICA DO AFETO, o espaço da prática da homosociabilidade, ameaçada a transformar-se num lugar de consumismo, incentivador de toda a energia do capitalismo egóico, monologador, matéria prima desta Crise que o Mundo inteiro vive atualmente, trazida pela sofística financeira, Miss Especulação.

Nosso advogado Dr. Cristiano Padial Fogaça Pereira, deve entrar com uma ação, pois este lugar está em situação de contencioso. Por trás de uma funcionária nutricionista que pede que retiremos nosso material imediatamente daquele espaço, porque “vai haver uma reforma”, está certamente tudo que motiva a demolição da área do entorno Tombado do Teat(r)o Oficina. Pergunta-se : para quê ?

O público ainda não tem conhecimento: “720 apartamentos” ou “um Shoping” ?

 

Uma dezena de moradores de rua abriga-se embaixo do minhocão em frente ao Oficina do outro lado da rua e ao Sacolão

Uma dezena de moradores de rua abriga-se embaixo do minhocão em frente ao Oficina do outro lado da rua e ao Sacolão

 

Em frente aos muros de portas e janelas emparedadas durante a demolição que já dura mais de 20 anos um morador de rua dorme

Em frente aos muros de portas e janelas emparedadas durante a demolição que já dura mais de 20 anos um morador de rua dorme

O Grupo SS está neste ser ou não ser sobre o que pode ser mais finaceiramente vantajoso e possível dentro dos frágeis fios da lei Urbana, defendendo timidamente a Cidade.

Está no contencioso porque tramita no MINISTÉRIO DA CULTURA magnificamente gerido pelo Ecologista Juca Ferreira, e no seu organismo de proteção ao Patrimônio, o IPHAN, sob direção do jovem e dinâmico arquiteto Luis Fernando Almeida, um PROCESSO DE TOMBAMENTO DO TEAT(r)O OFICINA como PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO, de número 014 50005 674 2008- 21 e outro de seu ENTORNO QUALIFICADO para realização da complementação do projeto da arquiteta LINA BARDI de número 1515 T. B 04.

Este assunto todo tem de ser tratado publicamente.

Trata-se de uma questão que é a dominante nestes tempos de Crise : a do MEIO AMBIENTE, destruído pela especulacão financeira, sobretudo a Imobiliária.

Tudo está sendo feito na Moita.

A exposição pública deste fato, dá possibilidade de evitar-se mais um Crime Ambiental : a destruição do Bairro do Bixiga como Ponto de encontro fora dos guetos, da cidade de São Paulo.

 

O janelão do Oficina, ameaçado de tumulamento pela construção do grupo Silvio Santos – foto Nelson Kon

O janelão do Oficina, ameaçado de tumulamento pela construção do grupo Silvio Santos – foto Nelson Kon

É preciso reforçar este lugar que já foi cosmopolita, enfraquecido, por sua divisão pela Construção do Minhocão, mas hoje merecendo uma real revitalização de acordo com seu destino histórico de ser uma Lapa, um Pelourinho, um Greenwich Village, uma Rive Gauche de São Paulo, enfim o lugar acolhedor da mistura social, que existe em qualquer capital do mundo e mais que isso, o da morada de um povo que lá vive, que sai para rua, põe cadeiras na calçada, e é em si um patrimônio, por trazer em seu corpo a história do lugar.

Este povo é exatamente nosso público alvo para o ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE, com a Universidade Antropófaga, a Oficina de Florestas, a ÁGORA e o Teatro de Extádio, conjuntos urbanos sem grades que queremos criar.

Os nordestinos, os italianos fundadores das primeiras cantinas, o Vai Vai, dos afro-descendentes, primeiros proprietários do Bairro, são importantíssimos para a criação de um espaço público cultural sem grades.

 

Beco do Oficina com a saída fechada e janelão, vistos do hoje estacionamento do Baú da Felicidade – foto Cassandra Mello

Beco do Oficina com a saída fechada e janelão, vistos do hoje estacionamento do Baú da Felicidade – foto Cassandra Mello

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As terras do Bixiga foram de Libertas, uma ex-excrava, proprietária da Chácara do Bexiga, que ía até a Avenida Paulista. Estas terras foram griladas, seu povo morador foi arrancado do seu Quilombo de que eram proprietários e jogados no Cortiço, nas “Cabeças de Porco.”

O mesmo pode voltar a acontecer agora, como já vem acontecendo: os moradores pobres, a riqueza do Bairro, que merece enriquecer-se no lugar que cultivou, estará toda ameaçada mais uma vez de ser levada para a mais remota periferia das periferias.

Já aconteceu com os os moradores do Prédio que foi da Caixa Econômica, entre eles Ariclenes Barroso, um de nossos mais talentosos jovens atores, vindo do nosso trabalho com as crianças do Bairro : O BEXIGÃO, que lá morava, teve de mudar-se pra bem longe do teat(r)o onde se formou, se forma e hoje trabalha profissionalmente.

Portanto acho justo tirar da clandestinidade este despejo que está sendo feito de parte do Corpo de um Teat(r)o, O Oficina, justamente no ano que comemora seus heróicos 50 anos de Vida Fértil no Bairro do Bixiga, Bela Vista.

Guerra pela paz.

Um grande abraço a todos que lutam com felicidade guerreira na Guerra, na Paz

e pela preciosidade do Meio Ambiente.

José Celso Martinez Corrêa

Amor Humor e Muito Mais

Ensaio do Banquete – cena de circo

sábado, 6 de junho de 2009
Zé dirige mito do Banquete para cena circense. Zeus para impedir a revolução do phoder redondo dos seres Andróginos parte-os ao meio. 

“(aparecem tres casais de acrobratas, dois homens: o Androgimo Masculino, duas mulheres: o Andrógino Feminino, um homem e uma mulher: o Andrógino Bi. Interligados cada um formando um astro redondo, uma bola, como seus pais, Sol, Terra, Lua.)

TRIO ANDROGINO
Sou animal astuto,
formei vossa espécie phoderosa pro disfruto,
como já rodo ressuscitando,
meu nome hoje, não é mais nefando.
Vejam, tenho formas redondas,
tenho costas e flancos formando ondas,
quatro mãos, quarto pernas,
duas faces semelhantes, ternas,
sobre um pescoço redondo,
com uma só cabeça rondo,
esses dois rostos em oposição,
quatro orelhas, dois órgãos de geração,
e tudo mais na mesma proporção.
Caminho ereto ,
como a maioria agora,
tomo a direção que quero pra qualquer canto.
Se desejo pressa, sou saltimbanco,
descrevo voltas no ar,
lanço as pernas para cima, a voar,
apoiando-me sobre os membros,
que são oito, se agora me lembro,
na velocidade,
riscando círculos sem vaidade.

ANDRÓGINO MASCULINO
Sou Andrógino masculino,
filho de Sol.

ANDRÓGINO FEMININO
Sou Andrógino feminino,
filha de Terra .

ANDRÓGINO BÍ
Sou Andrógino Bí ,
participo dos dois aqui,
(coloca as mãos em seus buracos e protuberâncias)
filho-filha de Lua,
que como se sabe, não jejúa,
nasceu pra todos que vivem na rua .

TRIO ANDROGINO
Somos assim, esféricos, redondões,
na forma, nas movimentações,
semelhantes aos nossos progenitores,
temos coragem poderosa, diante superiores.
Quero escalar o céu, com meu rodo-avianús,
vamos? atacar os deuses e os vaticanus?
( O AnDrogino põe-se a girar como uma bola pião avião pra subir aos céus)

CIRURGIA DO ANDROGINO - conforme o texto vai pedindo, as ações vão sendo obedecidas e realizadas

ZEUS
(do Palco do Olimpo ponto: no palco ao fundo)
Que fazer com essa revolução?
Acertar na cirurgía de precisão,
do raio missil trovão,
este bando terrorista desordeiro?
ou destruir o gênero humano inteiro?

HERA
Mas quem vai sobrar, pra nos venerar , parceiro?
Quem, a cada geração,
vai reinventar nosso culto, Papaisão ?

ZEUS
Mas essa insolência,
tem que ser castigada , na seqüência.
Eureka! Encontrei o jeito!
É meu dever, meu direito!
Os humanos vão existir,
mas, domesticados,
num ir e vir,
de fracos, dominados:
corto cada um deles, em duas partes,
e assim temos duas belas artes,
ficarão mais úteis em cena,
sobre duas pernas apenas.
Se persistirem na revolta,
não quiserem a paz de volta ,
dividirei cada um, em mais outras partes, boto fé,
e assim, vão ter q caminhar, sobre um só pé.

Instituto dos Arquitetos do Brasil e Teatro Oficina lutam com os mesmos objetivos

sábado, 6 de junho de 2009

O IAB escreve contra o projeto do governo estadual de José Serra para ampliação da Marginal Tietê.

O projeto sofre dos mesmos maus que o projeto do grupo Silvio Santos para o entorno do Teatro Oficina. Desconsidera a história do lugar, a geografia e principalmente tem como único objetivo o “desenvolvimento insustentável”, concentrador da riqueza, massacrador do cultivo e da cultura tanto no Rio Tietê quanto na Rua Rio do Teatro Oficina e todos os rios canalizados em seu entorno, o Saracura, o Anhangabaú, que vão afinal dar no Tietê.

Como impedir o massacre ?

O Oficina continua convidando abertamente o governador José Serra para fazer o que ele nunca fez: pisar no teatro Oficina, conhecer o lugar e conversar sobre o futuro da região tendo em mira uma verdadeira revivescência através da construção do Anhangabaú da Feliz Cidade nos terrenos há vinte anos terra improdutiva, explorada pela especulação imobiliária e financeira do grupo Silvio Santos, verdadeiro crime contra o Meio Ambiente e verdadeiro responsável, ao lado de outors grupos financeiros, pelo estado de degradação em que se encontra o Bexiga, crime que ainda pode ser reparado.

Foi feito pedido protocolar de audiência com o governador e depois a carta convite. O objetivo é que o governo do estado desaproprie a área para a criacão do Anhangabaú da Feliz Cidade proposto pelo Teatro Oficina.

Até hoje está claro que o governador lava as mãos e não quer tocar no assunto, que é um tabu, pois trata-se de propriedade privada e poucos estão dispostos a enfrentar o poderio financeiro que destrói culturas, bairros e impede o exercício do verdadeiro poder humano presente na cultura de cada habitante dos cortiços e das ruas do Bexiga, com o único objetivo de satisfazer ganâncias de diretores e presidentes de grupos especulativos que há muito têm as mãos sujas movimentando a máquina de exclusão social brasileira.

O Oficina entregou também ao estado o memorando para a desapropriação que pode ter o PDF baixado aqui.

Segue a carta do IAB:

“Prezados(a) Colegas,
O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo apoia e encaminha a todos para conhecimento a Moção de Protesto e Repúdio, elaborada pelo seu Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico.
Arq. Rosana Ferrari
Presidente
MOÇÃO DE PROTESTO E REPÚDIO
Nós, arquitetos membros do Grupo de Patrimônio do IAB-SP – INSTITUTO DE ARQUITETOS DO BRASIL – SÃO PAULO, achamo-nos no dever profissional e cidadão de redigir este documento público, através do qual manifestamos nossa total perplexidade e repúdio ao projeto de ampliação das pistas da via Marginal do rio Tietê ao longo de 15 quilômetros a partir do anel viário conhecido como “Cebolão”, e igual ou maior repúdio à construção de duas alças de acesso para fazer a ligação entre a via expressa (Marginal do Tietê) e duas avenidas locais (Avenida Tiradentes e Avenida Cruzeiro do Sul).
Em total contradição com o projeto do Rodoanel – que corretamente objetiva desafogar o tráfego veicular da área urbana do município –, a ampliação do número de faixas de rolamento das Marginais do Tietê constitui-se num indutor à circulação de veículos naquela área central da cidade, negando todo o embasamento conceitual de tráfego que guiou os estudos de implantação do Rodoanel.
O projeto pretendido zomba, também, do massivo investimento que foi feito, pelo Governo do Estado, na recuperação dos taludes do rio Tietê através da implantação de rico projeto paisagístico que incluiu o plantio de árvores, árvores que serão totalmente suprimidas, assim como a área permeável dos taludes e faixa ciliar do rio, para dar lugar a pistas de rolamento.
Nas grandes metrópoles do mundo – veja-se o recente exemplo da cidade de Seul, Coréia, visitada pelo Prefeito de São Paulo no mês de maio –, os rios vêm merecendo tratamento oposto: projetos que abordam os rios como marcos hidrográficos do território urbano, e que se apropriam desses marcos como elementos de qualificação da paisagem urbana, inibindo a sua conexão com o automóvel, incentivando a sua conexão com o pedestre e com a vegetação urbana.
As duas alças viárias pretendidas constituem-se em equívoco maior, por diversas razões urbanísticas.
Primeiro equívoco: o projeto baseia-se numa premissa estreita, reduzindo a questão à solução de um problema de tráfego veicular, qual seja: eliminar pontos de estrangulamento de tráfego. Ora, desafoga-se aqui, empurrando para adiante o ponto de estrangulamento – pois a quantidade de veículos circulando não diminui com essa providência. Isto é racional?
Segundo equívoco: Para “empurrar” para outro local o ponto de estrangulamento, vale o custo de rasgar e poluir a paisagem com viadutos? Note-se um dado importante: todas as pontes urbanas que cruzam o rio Tietê ligam vias locais e, como tal, têm seu traçado bastante ortogonal e perpendicular ao rio. As duas alças pretendidas têm, ao contrário, traçado em curva, denunciando sua mera função rodoviarista, incompatível com o caráter urbano das pontes existentes.
Terceiro equívoco: o projeto das duas alças carece de um mínimo de sensibilidade e de compreensão do caráter da paisagem urbana paulistana daquele trecho da cidade, pois se intromete nas visadas do conjunto da Ponte das Bandeiras, a mais bonita e bem composta, do ponto de vista arquitetônico, das pontes que atravessam todos os rios da cidade de São Paulo.
A Ponte das Bandeiras carrega alto valor simbólico, pois está implantada no exato local onde no passado existiu a antiga Ponte Grande, a primeira que transpôs o rio mais paulistano da cidade. O comprometimento da visão do conjunto da Ponte das Bandeiras (ponte-tabuleiro, cabeceiras, torres) será deletério, definitivo e irreversível, caso vingue a construção das inadequadas alças rodoviárias sobre o rio.
Por prever os prejuízos urbanísticos da realização da ampliação das Marginais do Tietê, e principalmente os prejuízos paisagísticos decorrentes de uma eventual construção das duas alças viárias, somos impelidos a solicitar a todos os atores e instâncias responsáveis pela viabilização desse equivocado empreendimento rodoviarista que avaliem cautelosamente o projeto, e decidam pelo bem da preservação da história, da memória e do decoro urbanístico.
Autor da Moção: Arq. Vasco de Mello
Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico do IAB-SP
Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo
Rua Bento Freitas, 306 | 4º andar | Vl. Buarque | 01220-000 | SP
Fone/Fax: (11) 3259-6866 | 3259-6597
e-mail: iabsp@iabsp.org.br
site: www.iabsp.org.br

O Banquete – ensaiando a Phala

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O Banquete, de Platão, está sendo ensaiado para estrear no Oficina em 24 de junho.

A transcriação da peça começou há três meses com a preparação do roteiro dramatúrgico por José Celso Martinez Correa e sua encenação em ensaio aberto no festival Queer, na Croácia, no mês de maio, como noticiado aqui.

No mês de junho o Oficina abre-se para três fogueiras:

1 – a dos namorados em Santo Antônio 13. Cacilda Becker faz 40 anos de ethernidade nesse dia.

2 – a do Natal na Terra do Hemisfério Sul na noite mais fria do ano, em que nasce Xangô Menino Eros Cupido, dia 24, que será comerorado com “O Banquete“, Bori de Pratão pra Eros

3 – a do Terreiro, de Sam Pedro, em 29, em que faremos feitiçaria para a construção do Jardim Urbano da Brutalidade : Anhangabaú da Feliz Cidade

O Banquete terá, além da estréia em 24 de junho, mais duas únicas apresentações em 27 e 28 de junho. Abaixo Zé Celso (Sócrates) dirige Lucas Weglinski (Fedro) no ensaio de 4 de junho e Cellia Nascimento improvisa o canto de Fedro.

O Banquete na Croácia e a música dos Bálkãs

terça-feira, 2 de junho de 2009

No segundo dia de ensaio do Banquete em Zagreb fomos à ´casa de produção´ do festival, e logo perguntei pras pessoas ali como era a música típica da Croácia. A referência que eu tinha da música daquela região era o Goran Bregovic, músico sérvio que fez as trilhas dos filmes do Emir Kusturica e também do filme Rainha Margot, de Patrice Chéreau. Ele fez um super show aqui na Sala São Paulo há alguns anos, onde misturava sua banda e um cantor maravilhoso com uma orquestra de funerais, quatro vozes búlgaras, um coro masculino inglês e uma orquestra de câmara alemã. É uma música misturada, mas principalmente cigana.

Logo minha decepção quando falaram que na Croácia havia pouquíssimos ciganos, e que não havia grupos conhecidos de música de influência cigana. Fui com uma das produtoras no Youtube, e vimos alguns vídeos de música tradicional popular de hoje, e parecia muito com a música grega de mesmo estilo. Um pouco sem graça.

E pra nossa leitura do Banquete, o previsto é que aparecessem músicos de lá, mas nos primeiros dias não havia. Depois chegaram alguns percussionistas pra desespero do Ito. Fora três que tocavam, os outros mais atrapalhavam, e não entenderam muito o espírito da coisa.

Quem salvou mesmo a música foi o coro das garotas, de sugestivo nome LeZbor – Zbor em croata quer dizer coro. Elas chegaram no quarto dia de ensaio, e daí tudo pareceu correr mais prazeroso, com mais encanto. Pedi pra elas cantarem uma música do repertório delas, pra gente conhecer, o Zé ia chegar dali a pouco. E elas cantaram uma música pra chamar a chuva – elas têm um repertório de música tradicional dos Bálkãs, muita coisa da Macedônia, Sérvia e Bósnia, misturada com canções subversivas de vários estilos – elas cantam até a Internacional em croata (cantei um trecho em português a pedido delas). Tem o vídeo do momento da chegada delas no ensaio no canal do Oficina no Youtube, vale a pena ouvir. A regente é a Lidija Dokuzovic, cantora também da banda Afion, que mistura música tradicional dos Bálkãs com linguagem contemporânea. O coro LeZbor foi quem abriu o Banquete, elas cantaram essa canção da chuva enquanto recebíamos o público para o lava-pés, e depois ainda fizeram as Bacantes da peça, cantando em português e croata.

LeZbor

LeZbor

Pedi pra Lidija e ela deu algumas dicas de música dos Bálkãs, e tem muita coisa no youtube e myspace pra quem quiser conhecer um pouco mais:

Da Croácia:
Afion – é a banda dela, muito lindas as canções, têm três cds gravados, no site dá pra ver clipes e ouvir música (www.afion.net e www.myspace.com/afion).

LeZbor – é o coro das garotas (www.myspace.com/lezbor).

Tamara Obrovac – cantora croata ótima, às vezes engraçada, da região da Istria, perto da Itália. Ela tem um trabalho especial, Tamara Obrovac and Transhistria Ensemble, tem uns vídeos bem legais no youtube.

Da Macedônia:
Anastasia, que fez a trilha de um filme belíssimo, Antes da Chuva (Before the Rain, direção de Milcho Manchevski); 

Monistra – banda nova, que tem na formação um instrumento muito especial, Kaval, uma flauta macedônica que tem um som que te leva direto aos deuses…

Ljubojna – banda que toca música tradicional urbana, com forte influência turca;

Vlatko Stefanovski Trio – um super guitarrista e ainda um tocador de kaval;

Da Bósnia Herzegovina:
Emina Zečaj, Zaim Imamovic, Himzo Polovina – cantores de um estilo sevdah, a ouvidos desavisados soa como música turca. Eles estão ali bem próximos.

E pra quem gosta de uma mistura, tem o Balkan Beat Box, ótimo ! – www.myspace.com/balkanbeatbox . E daí um leva pra outro, dá pra fazer uma volta musical pelos Bálkãs sem sair do computador. Boa viagem !