Taniko no pré-carnaval

27 de janeiro de 2010

Quatro únicas apresentações: 30 e 31 de janeiro, 6 e 7 de fevereiro. Clique para ampliar:

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5 comentários para “Taniko no pré-carnaval”

  1. Airton Nozawa disse:

    Há meses havia escrito esta reinvindicação, em nome da munha mãe ( que se chama Taniko também) e de muitos imigrantes japoneses e gostaria que voces vissem a história por outro lado.
    Gostaria que repassassem ao diretor Zé Celso. Obrigado.

    OS SOLDADOS SEM ARMAS
    Passada a euforia das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, registro aqui uma justa reivindicação ao governo japonês, em benefício dos bravos imigrantes japoneses ainda vivos.
    Uiti Yamaguchi, respeitado professor, sua esposa Hisa e três de seus quatro filhos, Hideki, Taniko e Massami embarcaram no Japão pelo porto da cidade de Kobe, em agosto de 1929, com destino ao Brasil. A filha mais velha Kyiomi foi deixada pelos pais, pois a intenção era o retorno breve. Depois de 57 longos dias aportaram no Brasil, no porto de Santos, repletos de sonhos e ilusões. Saíram do Japão em busca de trabalho e dinheiro em terras desconhecidas, incentivados pelo governo do seu país que na época passava por grandes dificuldades econômicas.
    A viagem foi longa e sofrida, pois vieram em navio cargueiro, sem o mínimo conforto. Já durante a viagem começaram as manifestações dos sintomas de incompatibilidade alimentar. O que os encorajava era a esperança por dias melhores na nova terra, entretanto, não supunham a vida que os esperava. Na chegada a adaptação foi muito difícil, tanto aos hábitos alimentares como aos sociais, culturais e trabalhistas. Com o passar do tempo o dinheiro almejado e tão divulgado nas propagandas do Japão nunca sobrava, ao contrário, só acumulavam dívidas – a maioria dos imigrantes japoneses tinha a pretensão de enriquecer no Brasil e voltar ao Japão num prazo máximo de três anos. O enriquecimento rápido em terras brasileiras, porém, mostrou-se um sonho quase impossível. Além da baixa remuneração, eram descontados os custos das passagens, obrigados a comprar mantimentos na fazenda que trabalhavam, muito provavelmente com preços majorados. As propagandas de incentivo à imigração divulgadas no Japão foram completamente diferentes, foram enganosas.
    Depois de muito sofrimento e em pouco mais de dois anos após a chegada ao Brasil, Hisa a mãe, morreu aos 37 anos por falta de adaptação aos hábitos alimentares, sanitários e culturais. “Voltaria voando se eu tivesse asas…” relata Taniko, ainda hoje, as palavras da sua mãe. Anos depois morre Uiti, o pai, após ser dominado por um profundo sentimento de culpa, muito provavelmente causado pelo peso do fardo que sempre carregou no Brasil: trouxe a família num país estranho e trocou uma vida difícil, porém controlada, por outra praticamente de escravidão. Também morreu cedo, aos 48 anos. O filho e as duas filhas casaram-se, passaram por inúmeras dificuldades e mesmo assim criaram e educaram todos os filhos com dignidade. No Japão, Kyiomi a filha que foi deixada, casou-se e teve um filho e logo cedo tornou se uma das viúvas da Segunda Guerra Mundial. Da família Yamaguchi ainda hoje vivem Taniko aos 90 anos e Masami aos 87 anos com a saúde bastante debilitada. Este breve relato provavelmente se assemelha às histórias da maioria das famílias dos imigrantes, muitas vezes já documentadas e mostradas em livros, filmes, revistas e jornais.
    A origem da imigração japonesa é datada a partir do final do século XIX, quando o Japão mergulhou numa crise demográfica com o fim do feudalismo e o início da mecanização da agricultura. A população do campo passou a migrar para as cidades, fugindo da pobreza e as oportunidades de emprego tornaram-se cada vez mais raras. Nesta época surgiram massas de trabalhadores rurais miseráveis. Em 1894 veio oficialmente ao Brasil o deputado Tadashi Nemoto em busca de informações que culminariam, um ano depois, na assinatura do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação. A partir daí começou efetivamente a imigração japonesa ao Brasil. Após o período da Primeira Guerra Mundial intensificou-se o grande fluxo imigratório para o Brasil, incentivado pelo governo japonês que via crescer a pobreza e o desemprego no país. O governo japonês utilizou-se da imigração como a válvula de escape para abrandar a precária situação econômica da época. Todos os imigrantes saíram em busca da sobrevivência, perversamente embalados por propagandas enganosas das empresas que os transportavam, e muito provavelmente com a conivência do governo japonês. Saíram da sua pátria e contribuíram para a redução da crise econômica da época, pois reduziram as bocas para serem alimentadas, aliviaram o sistema de saúde, aliviaram as escolas, aliviaram o desemprego e por conseqüência, desoneraram o Estado. Contribuíram também efetivamente para a consolidação da nação japonesa.
    Passaram-se os anos e o governo japonês nunca assistiu de forma concreta o seu legítimo povo que teve de abandonar o país em busca da sobrevivência. Nunca foi ele efetivamente solidário aos problemas do seu povo distante. Na verdade, a solidariedade praticada na comunidade nipônica no Brasil sempre teve a iniciativa entre seus próprios membros. Por outro lado, o governo japonês participou e enviou representantes para as homenagens e atividades festivas da comemoração do centenário da imigração, em 2008. As homenagens dão visibilidade aos envolvidos. A lembrança da vida sofrida dos imigrantes, sempre exaltada pelo imperador japonês, emociona muitos, entretanto não interferem no seu cotidiano: não enchem suas barrigas; não pagam os seus planos de saúde; não pagam seus remédios; não pagam suas despesas hospitalares e muito menos suas sepulturas.
    Apesar do atual desenvolvimento social e econômico do Japão, o trato e o respeito do governo japonês para com os legítimos e sofridos patrícios parecem que continuam como há mais de 100 anos, não evoluíram e quase nada foi feito. O tempo passou, o mundo se tornou um pouco mais sensível às questões humanitárias e a qualidade de vida no Japão melhorou. Assim como hoje, mesmo com a crise, a população japonesa desfruta de ótimos índices de qualidade de vida, quero também o mesmo para os seus filhos ainda vivos, aqui no Brasil e fora dele. Assim como em 1894, sugiro também agora após mais de 100 anos, a visita de um ou mais deputados japoneses para averiguarem as condições de vida precária que muitos imigrantes ainda levam. No Brasil e fora dele, ainda existem muitos idosos remanescentes da imigração japonesa, vivendo na pobreza e no abandono.
    Sou filho de imigrantes, não serei polido, não terei a vergonha de cobrar e nem a tradicional paciência oriental, como têm tido os sofridos imigrantes. Demonstro aqui minha indignação ao ver uma nação classificada como uma das mais ricas do planeta, que incentivou os seus filhos a abandonarem a sua pátria em crise e depois deixá-los desamparados em terras longínquas – aos soldados sobreviventes da Segunda Guerra Mundial isto não aconteceu. Compreendo que os legítimos imigrantes, principalmente aqueles que saíram antes da Segunda Grande Guerra, por respeito à autoridade e às hierarquias, como lhes é peculiar na tradição de sua cultura, nunca fariam tal cobrança. Ainda há tempo para uma atitude digna por parte do governo japonês aos bravos imigrantes. Eles, assim como os soldados japoneses nas guerras, também se expuseram e se sacrificaram. Pior! Os soldados sempre armados sabem quem são seus inimigos enquanto que os imigrantes enganados vieram acompanhados da família, sentindo na pele o sofrimento de pessoas indefesas. Na verdade foram eles os soldados sem armas. Merecem, portanto, também ser tratados com a mesma dignidade, consideração, respeito e principalmente suporte financeiro, como os soldados. Não podemos ignorar que os atos de bravura e patriotismo não são qualidades somente dos que participaram das guerras!
    Retomando a história da família Yamaguchi, Taniko é a minha querida mãe e é para ela, para todos os imigrantes ainda vivos e em homenagem aos que morreram que conclamo ao governo japonês para ter a dignidade de reconhecer a epopéia dos imigrantes, ainda que tardiamente, procurando retribuí-los efetivamente. Reitero da forma mais clara, direta e objetiva, para que seja oferecida urgentemente uma compensação pecuniária a todos os imigrantes. Será de grande valia para que desfrutem o restante de suas vidas com um pouco mais de conforto e reconhecimento. Para o governo japonês, o único ônus será o financeiro e com certeza imperceptível, mesmo em tempos de crise.

    Airton Nozawa
    Professor da Universidade Estadual de Londrina
    airtonnozawa@yahoo.com.br

  2. Airton Nozawa disse:

    No momento da nova apresentação deste musical, gostaria de registrar uma reinvindicação escrita por mim há meses, em nome da minha mãe ( que também se chama Taniko e também saiu de Kobe e chegou em Santos) e de muitos imigrantes japoneses. Gostaria assim, que voces vissem a história por outro lado. Como a reinvindicação é longa e não é possível enviar por este meio, gostaria que me repassasse o e-mail do diretor Zé Celso para repassá-lo. Obrigado.

    Airton Nozawa

  3. marta rezende disse:

    Emocionante e esclarecedor o depoimento de Airton.

  4. marta rezende disse:

    Super feliz fiquei ao saber que Zé Celso volta ao palco e ainda mais feliz por poder rever essa peça de ritualização dionisíaca. Obrigada Zé, obrigada Oficina por mais esse religare. Excelente recuperação Zé pois é fundamental a sua presença na nossa vida para que a gente seja menos babaca, menos careta, exaltando a vida trágica dançando-cantando-brincando.

  5. Joana disse:

    Ahh, mas já acabou Taniko???

    quais são as perspectivas pra próximas apresentações?

    Viva zé celso!

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