Antagônica Mistura – A Luz de Cacilda!!!!!

6 de agosto de 2014

* Texto produzido por Renato Banti, iluminador do Teat(r)o Oficina, para o programa da peça Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada em julho de 2014.

Cacilda é uma peça motivada pelo
desejo de viver
personagens
que exaltam
personalidades estetas.
Somos transportados atemporalmente
às experiências dos vivos-mortos artistas e
personagens, que se entrelaçam na vida pessoal da atriz e espelham-se em cena.

A dramaturgia parte do coma de Cacilda, que como um coro grego, reinterpreta sua criação sob o olhar antropófago de sua condição-trágica. A luz em Cacilda encontra dois polos distintos de seu uso. Em geral, traz uma luz sem sombras duras, porém temperada e agrupada de duas ou três angulações, a mostrar, em absoluto, tudo o que está presente em cena; e outra mais dura, de espectro único e soturna.

Renato Banti. Foto Claire Jean

A luz fria ou quente dos refletores, contrasta as cores dos figurinos e de luzes indiretas que pintam o cenário. As ribaltas douradas fazem oposição à luz fria. No antagonismo de Seis Personagens à Procura de um Autor, entre um teatro contemplativo de método formalista em conflito com um teatro de ação concreta com a multidão, o espaço de cena se divide em dois planos, sendo o primeiro de luz fria recortando os limites da atuação, enquanto o segundo é de luz quente das sombras duras dos submundos de feixes vindos de trás das plateias e das ruas.

Uma tela de papel está ao fundo do palco e evidencia o teatro de sombras. É uma grande tela de ilusões. Céus em cores surgem em movimentos, como a lua de quarto crescente que brilha prateada. Quando a tela é atravessada, fundem-se os antagonismos misturados de uma explosão catastrófica. A Cia Vera Cruz é quem promove o prólogo de Éros, quando a amazona Tônia Carrero, em Tico-Tico no Fubá, rouba o apaixonado Adolpho Celi de Cacilda, seu diretor amante.

Rompe em melodrama o amor passional de A Dama das Camélias, onde a peça cresce com o furor musical de adaptações de La Traviata de Verdi. Muitas ambientações envolvem esta parte da peça no qual a luz, através das cores e movimentos angulatórios, suspende os olhares da multidão a lugares diversos.

Antígone é a grande virada de Cacilda para um novo ato. O labirinto extinto da razão pela trágica ação de comer o cadáver da cultura. A luz é desenhada em focos definidos. Creonte, em seu trono de magnata da mídia, aparece como holograma até descer em terra e se tornar mais um presente na sala. Cacilda Antígone tem muitas passagens, que vão da febre penetrando dentro de si à loucura. Conforme essa febre muda suas percepções, a luz envereda a transformações de vermelho intenso e o sol quente do meio-dia queima seu corpo.

Os efeitos midiáticos de um Creonte tecnológico provocam as citações do coro.

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