“São João! São João! Acende a Fogueira do meu Coração!”
Todo dia fazemos com nossa história de vida, história; mas neste dia da noite das Fogueiras de São João, vive-se à tarde, ano Rio de Janeiro, no PAÇO IMPERIAL, um instante em que os brasileiros Conselheiros que nos representam no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o IPHAN, tomam decisões em 3 cenas diferentes que definirão rumos da História do Brasil: deste as 10h da manhã estarão reunidos para examinar processos relativos aos 102 anos da IMIGRAÇÃO BRASILEIRA NO BRASIL, AOS ÍNDIOS DE MATOGROSSO e ao TOMBAMEMTO DO ENTORNO DO TEATRO OFICIA, que há 30 anos vem impedindo por uma luta social, com apoio do mundo inteiro, que o TEATRO OFICINA , e o BAIRRO DO BIXIGA, sejam destruídos, antes pela construção de um SHOPPING pelo GRUPO SILVIO SANTOS e agora por 3 TORRES DE APARTAMENTOS,o projeto atual deste Grupo.
O Ministro da Educação dos anos 1930 e 1940, Gustavo Capanema, junto a 3 Andrades, os Poetas Carlos Drummond, Mário e o advogado Rodrigo Melo Franco de Andrade, há 73 anos atrás, criou esta instituição que até o dia de hoje tem enriquecido o Patrimônio Cultural do Brasil.
Dia 10 deste mês das Fogueiras, o “Diário de São Paulo” publicou matéria de página inteira anunciando esta reunião de hoje, com Manchete Drummondiana “Tem um Teatro no meio do caminho”. A Palavra “meio” está em letra de formato maior, e seu “i” é uma seta enorme apontando para uma foto do Prédio do Teatro Oficina, como Protagonista de um entorno urbano totalmente destruído, embaixo do qual se montou uma foto do lado direito, de Sílvio Santos ao lado de uma chamada em fundo negro, em letras brancas escrito: GRUPO SILVIO SANTOS; e do lado esquerdo uma foto de José Celso Martinez Corrêa, com outra chamada: TEATRO OFICINA. Exatamente o Teatro, no Bairro do Bixiga, onde é cultivado um Ponto de Vista Estético Específico do Teatro Brasileiro e Internacional há 51 anos, e que hoje deve ser estudado pelos Conselheiros presentes no Paço Imperial.
Os Ilustres Conselheiros examinarão três cenas distintas do Patrimônio Artístico e Cultural do Brasil. No caso do Oficina, sua decisão deve intervir fortemente na Cena atual do Teatro Brasileiro.
Este Teatro, o Oficina, há 30 anos defende e quer ampliar a terra em que floresce sua criação e libertar-se do Cerco da Especulação Imobiliária que cerceia seu crescimento em seu entorno, tombado pelo Conselho do CONDEPHAAT, com 300 metros de entorno, conforme determina a Constituição Brasileira. Este Tombamento foi realizado em 1982 pelo geógrafo Azis Ab’Saber, então presidente do conselho na gestão do Secretário de Cultura, o pianista João Carlos Martins, tendo por base o “Laudo Técnico” dado pelo saudoso arquiteto, artista plástico, cenógrafo, figurinista e diretor teatral: Flávio Império. Este ato é Revolucionário em seu conceito, pois ao mesmo tempo em que tombava o Teatro, tombava seu entorno para a realização de um Projeto de um dos maiores “Arquitetos” do século XX – Lina Bardi – Mulher protagonista desta história.
O “Arquiteto” como ela fazia questão de ser chamada, Lina Bardi, concebeu a obra que acabou por ser seu Canto de Cisne, para o Teatro Oficina em 1980: um Espaço Arquitetônico Urbanístico em que o Oficina transforma-se numa RUA, chamada por ela “Teatro Pé na Estrada’”, como afirmava “Chão de Terreiro, Galerias do Scala de Milano, dando para as Catacumbas de Silvio Santos”. Com Catacumbas referia-se ao Colyseum Romano, mas adotou o nome que seu amigo, Oswald de Andrade, já tinha criado em 1943: “TEATRO DE ESTÁDIO”, para a devoração do Coliseo Romano, lugar para “a Paixão, a Emoção do Povo da Grécia Carnavalesca do Brasil comer seus bodes, cantando-os. Cantar o Bode, igual a Cantar sua Tragédia: bode em grego tragos, canto, oidé, Tragoidé.
Este Tombamento, no que toca a seu entorno, não foi respeitado anos depois, pelo CONDEPHAAT, que foi perdendo pelos Governos sucessivos seu poder, tornando-se cada vez mais refém da Especulação Imobiliária.
A concepção deste novo Teatro chamado também de “TERREIRO ELETRÔNICO” começou na montagem de “Na Selva das Cidades”, do Jovem Brecht em 1969. Era o início da Divisão do Bairro Popular e Cosmopolita, Umbigo da Cidade: o BIXIGA. Na destruição operada para a construção do MINHOCÃO, Lina então criou o Espaço Cênico da peça, com árvores arrancadas em frente ao Teatro, escombros das casas destruídas, e colocou tudo no centro do espaço, fora do Palco então existente, num RINGUE DE BOXE em 11 rounds, tudo, como na Cidade, ia se destruindo, até se chegar ao próprio cimento que cobria o chão do Teatro. Ali embaixo Lina encontrou a Terra, que chamou “Os Sertões” da Rua Jaceguay 520. Em todos os espetáculos, num trabalho puxado dos atores e dos maquinistas, os objetos que construíam cada cena eram destruídos pelos atores que os atiravam a um amontoado enorme de Lixo, protegido por uma trama de ferro, para não atingir o Público. Todos os espetáculos terminavam por arrancar as tábuas do Ringue e chegar a Terra da Jaceguay 520.
Rimbaud, nas ruas de 1968 em Paris, havia retornado com seus versos: “en dessous lês pavets, Il y a la plage”, “debaixo dos paralelepípedos há a praia”.
Toda a concepção de Lina para o futuro projeto nasceu desde então desta e de todas as peças encenadas pelo Oficina. O Projeto do que chamam hoje o “Anhangabaú da Feliz Cidade” foi, a partir daí, o de um Espaço Público e Urbano Teatral construído pelas exigências das peças teatrais dos atuadores, na dinâmica que as novas descobertas a partir de “O Rei da Vela” e “Roda Viva” passaram a exigir. Aliás, em virtude deste movimento Flávio Império centrou sua argumentação para o Tombamento Revolucionário de 1982. Este Parecer, entre outros, foi incluído no Processo de Tombamento julgado hoje, do Entorno do Teatro Oficina pelo IPHAN.
Lina acolheu este movimento do Teatro Brasileiro, e foi criando o novo espaço organicamente. Isto tornou a arquitetura do Teatro Oficina um espaço único no mundo, uma OBRA DE ARTE em si, MEDALHA DE OURO DA BIENAL DE ARQUITETURA DE PRAGA. É um TEATRO RUA, que busca a Cidade, o retorno ao momento mais forte da história do Teatro no Mundo: o ANFITEATRO DA TRAGÉDIA GREGA . Um Teatro Cívico, para a Cidade. Ao mesmo tempo deu continuidade ao processo interrompido pelo AI 5 de tornar o BIXIGA um Ponto de Encontro Cosmopolita da Cidade com o Povo do Bairro, como se iniciou no PELOURINHO DA BAHIA, mas que também não foi em frente porque foi exigido que não permanecessem os antigos moradores no local reconstruído. Para o BIXIGA, o movimento de sua evolução urbanística indicava o mesmo: que ficassem seus habitantes nordestinos, afro descendentes e seus Teatros e Cantinas. E mais do que isso, que os Teatros cultivassem o espírito dos que lá existiram dos anos 1940 aos 1960, como trabalho de companhias permanentes nas mais diferentes formas de teatro.
Foi o “TBC” que, no fim dos anos 40, inaugurou este processo maravilhoso. Logo depois, o “Teatro Bela Vista”, de Sérgio Cardoso e Nydia Licia, o “Teatro Maria Della Costa”, o “Teatro Cacilda Becker”, o “Teatro Ruth Escobar”, o “Teatro de Arena” e as Cantinas, inspiradas também pelo Nick Bar, hoje uma Igreja Evangélica.
Já nos anos 80, em plena construção do “Teatro Pé na Estrada”, Lina Bardi plantou no jardim do Oficina, como em sua casa no Morumbi, a semente de uma Cezalpina, que rapidamente enraizou-se, teve seu tronco crescido, perfurando o muro do JANELÃO IMENSO , dando pra cidade de São Paulo, como o seu famoso VÃO do MASP, na Avenida Paulista, e foi dar sua Sombra ao Estacionamento do GRUPO SILVIO SANTOS. Essa é a Matriz do que será o Espaço Teatral Urbano pleno de Verde nos arredores do Teatro da Rua Jaceguay 520. Com a Cezalpina atrevida e vanguardeira, nasce “A OFICINA DE FLORESTAS”, nomeada pelo verso de Caetano Veloso no samba “Sampa”.
Lina e os atuadores do Oficina abriram um Teto Móvel no Telhado central do Teatro para os Céus da Cidade, para que os Atores, além da Contracenação consigo mesmo, com sua Companhia, contracenassem com a Paisagem Urbana. Para que seu Corpo Ator e o Corpo do Publico do Instante contracenassem com o Cosmos e o Cosmos agisse com sua Energia visível em todos os Corpos presentes.
Na Fachada do Teatro, Lina exigiu a BIGORNA DE FERRO, Tótem do Oficina, onde o Corpo sofre o Malho estraçalhador da Velha Anatomia que no Fogo da Inspiração Transmuda Alquimicamente, forjando o Corpo Atuador, o Corpo do Ator, da Atriz.
Lina dizia que eram os FERROS DE OGUM na Testa do Terreiro, o Orixá da Felicidade Guerreira. Palavras de Lina: “assim nunca iremos desistir e vamos ganhar esta luta.”
No dia 24 de Agosto de 1980, antes que o Grupo Silvio Santos entrasse nesta Cena, apresentou-se no OFICINA, com o Arquiteto Marcelo Susuki, o 1º Croqui de RUA, feito por Lina, dando para o TEATRO DE ESTÁDIO.
Tendo como Estatuto a peça de Brecht e Paul Hindemith “A IMPORTÂNCIA DE ESTAR DE ACORDO virada CONTRATO SOCIAL DE ACORDO PERMANENTE NA MUDANÇA DE SEUS MEMBROS, o TEATRO OFICINA transmudou-se de “CIA. DE TEATRO OFICINA LTDA.” em ASSOCIACÃO DE TEAT(r)O OFICINA UZYNA UZONA, e neste salto foi tendo a percepção que as montagens dos grandes textos da história do Teatro, desde os do 1º Oficina de “OS PEQUENOS BURGUESES”, “GALILEU GALILEI”, “GRACIAS SEÑOR”, “AS TRÊS IRMÃS”, de Tchecov. “O REI DA VELA”, de Oswald de Andrade, os da fase Uzyna Uzona como “O HOMEM E O CAVALO” e “OS MISTERIOS GOZOZOS”, também de Oswald,”HAM-LET”, de Shakespeare, “BACANTES”, de Eurípedes,”O BANQUETE” de Platão, “BOCA DE OURO”, de Nelson Rodrigues”, “OS BANDIDOS” de Schiller, a TEATRALOGIA CACILDA uma, duas, três, quatro exclamações !,!!,!!!,!!!!, de José Celso Martinez Corrêa, e “OS SERTÕES”, com suas 27 horas de Teatro dadas em 5 dias, eram uma Universidade em Formação. Um Saber que passou a ser pedido pela Sociedade em formas de Cursos, Oficinas, Uzynas Uzonas.
Daí nasceu a “UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA” que tem como ESTATUTO o “MANIFESTO ANTROPÓFAGO”, o Estudo dos Tabus, das Proibições e das zonas fronteiriças, para a formação não somente de atuadores de Teatro, mas de diplomatas nas áreas de Conflito onde estão os TABUS que impedem o movimento natural dos desejos dos povos do mundo de mudanças, do “change” nesta mudança de Era, que quer ruir os muros de todos os Ismos fundamentalistas da organização Oligárquica Patriarcal, da dominação da ARIDEZ DA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA sustentada pela INDÚSTRIA ARMAMENTISTA que mantém o mundo refém de um sistema produtor de Guerras, Terrorismo, e Miséria Física e Espiritual. Os povos que elegeram Obama, Lula, querem deixar brotar o que recentemente descobrimos: estar próxima nossa própria destruição se não atendermos aos valores da Vida Animal, Humana, Transhumana, Vegetal, Mineral.
Hoje sabemos que a Cultura é o cultivo da Infra estrutura que é a Vida e não a Macro Economia que Marx descreveu como a Infraestrutura do Capitalismo.
CULTURA – EDUCAÇÃO – MEIO AMBIENTE hoje é um trinômio de onde brota a continuação das Espécies Vivas, a transvalorização de todos os valores, como previa Nietzche, e traz a possibilidade da PAZ MUNDIAL.
Teatralmente, o que acontece com a disputa entre o TEATRO OFICINA versus GRUPO SILVIO SANTOS é a Metáfora Concreta deste Embate Universal no Planeta todo.
A filosofia dos empreendimentos imobiliários do Grupo SS é a de que os preços subam e o valor dos terrenos cresça, para conseqüentemente construir para a classe média alta condomínios fechados, expulsando a população eloqüente e popular das ruas do BIXIGA, onde os descendentes de Libertas, a Chica da Silva paulistana, que recebeu de seu feitor a CHÁCARA DO BIXIGA, criaram a mais querida Escola de Samba da Cidade, a “VAI VAI”.
O projeto do “ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE”, batizado por um dos versos da música “Inverno”, composta pelo poeta e músico José Miguel Wisnik como hino desta Guerra pela Felicidade Guerreira, leva também este nome inspirado obviamente no “BAÚ DA FELICIDADE” e é uma aposta de que o próprio GRUPO SILVIO SANTOS possa participar da construção deste empreendimento Revolucionário.
Em vez de resistir, o Oficina RE-EXISTIU, devorou esta Guerra, criando este projeto nascido desta luta por seu entorno, apoiada por milhares de mortais, que amam a cultura da vida, o Teatro, o próprio Teat(r)o Oficina, aqui no Brasil e no mundo. Não foi somente o núcleo que lá trabalha o responsável até hoje por evitar a destruição do bairro pela Corporação poderosíssima que constitui o GRUPO SILVIO SANTOS com a construção, primeiro, como queriam, de um SHOPPING, e agora TRÊS TORRES para 720 Apartamentos. Duas de um lado do OFICINA, de 27 andares, e outra do lado oposto, de 29 andares, exatamente do lado do JANELÃO e da CEZALPINA.
Essa Guerra, do lado do GRUPO SILVIO SANTOS, destruiu duas VILAS ROMANAS, tombadas pelo CONDEPHAAT, e a 1ª SINAGOGA DE SÃO PAULO. Surrealisticamente, no muro do fim da PISTA DO OFICINA, ainda hoje um BECO SEM SAÍDA, o grupo construiu uma PAREDE DE CIMENTO e sobre ela, colocou escombros da SINAGOGA, inclusive uma ESTRELA DE DAVID. Ficou uma Instalação que é chamada pelos atores do Oficina Uzyna Uzona de AUCHWITZ. É o Mistério mais Misterioso entre os acontecimentos desta guerra.
Em 2002, nos 100 anos da publicação de “OS SERTÕES” foi iniciada a encenação do livro, trabalhando-se com as crianças do bairro do BIXIGA, criando-se o Movimento BIXIGÃO, do qual, ao longo dos 6 anos em cartaz da peça, levada a vários Pontos do BRASIL, inclusive CANUDOS, e duas vezes na ALEMANHA, no Festival do Vale do Ruhr e depois abrindo a temporada de outono do VOLKSBUHNE, em Berlim, muitos novos atores surgiram e hoje fazem parte da Companhia. O BIXIGÃO é a semente da UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA e é a resposta do TEATRO OFICINA UZYNA UZONA para o aumento da violência e degradação da cidade, na periferia central de São Paulo.
Há oito anos, desde o primeiro GOVERNO LULA, foi proposto o tombamento do entorno do Oficina para a complementação integral do projeto inicial de Lina Bo Bardi, semi-concluído pelo Arquiteto Edson Elito. Lina Morreu um ano antes da inauguração de seu Revolucionário Teat(r)o.
Durante estes 8 anos, todos os MINISTROS DA CULTURA: Maria Elisa Costa e Antônio Augusto Arante no primeiro governo, Gilberto Gil e atualmente o MINISTRO em gestão, Juca Ferreira, e o próprio atual presidente do IPHAN, Luís Fernando Almeida, apoiaram esta reivindicação da ASSOCIAÇÃO TEAT(r)O OFICINA UZYNA UZONA, que tem apoio do Teatro Brasileiro, Internacional, e de muitos que torcem por mais Vida no Mundo e no Brasil.
Este espaço requer o TOMBAMENTO MATERIAL QUALIFICADO DO ENTORNO DO OFICINA PARA REALIZAÇÃO DO PROJETO DO ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE, QUE COMPLETA O PROJETO DO GRANDE ”ARQUITETO” LINA BARDI, como ficou conceituado desde o mandato de Gilberto Gil, quando de sua visita ao Teatro Oficina juntamente com o Presidente do IPHAN, Luis Fernando Almeida.
Desde tempos arcaicos quando a ARTE DO TEATRO começou a ser praticada, sabemos que CORPO & ALMA são uma mesma realidade inseparável. O teatro especificamente tem seu meio de Produção, como a Agricultura, na Terra, no Espaço Físico dos Teatros.
O teatro, com o crescimento do Brasil, tem a oportunidade de voltar a ser uma ARTE PÚBLICA, cúmplice do reapoderamento do Poder de presença da espécie humana no Mundo.
A Construção de um Espaço que vem de uma Luta teatralizando os Impasses do mundo Contemporâneo, trazendo a Prática desde o TEATRO TOTAL, com a utilização de todos os Meios que a tecnologia digital nos colocou em mãos, caminhando cada vez mais com a Música ao Vivo, os grandes textos atuais e da Historia do Teatro, vai colocar em órbita o TEATRO RITUAL CENTRAL DA TRIBO UNIVERSAL HUMANA.
O TEATRO é uma ARTE filha de DEUS, mais exatamente de ZEUS, que, com a Mortal SEMELLE, concebeu seu fillho, DIONISIO, o deus do TEATRO.
Cacilda Becker declarou “Todos os Teatros são meus teatros”, próximo do ano de 1968, quando o CCC atacou “RODA VIVA”, de Chico Buarque de Holanda. Nesta peça o CORO PAGÃO DE PROTAGONISTAS instigadores da atuação do PÚBLICO-MULTIDÃO UNIVERSAL DE TODAS AS CLASSES, IDADES, ETNIAS E CULTURAS retornou e inspirou a criação do TEATRO DE ESTÁDIO, aberto a todos os Teatros: ao TEATRO DE COSTUMES, SOCIAL, RELIGIOSO, MUSICAL DE TODOS OS GÊNEROS, de CIAS. PERMANENTES QUE RESSUCITARAM NESTE MILÊNIO, ou das que se formam para um ÚNICO ESPETÁCULO, e aos MONÓLOGOS DOS GRANDES ATORES E COMEDIANTES,assim como os STAND UP, os TEATROS DAS ONGS,o TEATRO INFANTIL .
Tudo que se pretende Teatro terá seu lugar para ser Epifanizado diante das Multidões no “TEATRO DE ESTÁDIO”, o primeiro que naturalmente inspirará a criação de muitos outros, como os OLÍMPICOS ESTÁDIOS DE FUTEBOL.
Tudo que tiver que ser estudado, principalmente o Proibido, o será na “UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA”.
Todos os verdes, ervas, hortas, flores e frutos poderão ser cultivados nas “OFICINAS DE FLORESTAS”, nestes OASIS DE UTILIDADE E FUTILIDADE PÚBLICA que se abrem na Selva da Nova Cidade, e tudo isso contracenará e dará nova vida ao Bairro.
O BIXIGA, como a VILA ISABEL deu Samba, deu Teatro Contemporâneo em Terras Brasileiras da Capital do Capital. E Samba também.
Este Bairro, numa cidade de guetos como São Paulo, retornará a ser o Ponto de Encontro como quer agora Lula do PELOURINHO, sonho de Lina Bardi, e em toda VELHA SALVADOR. Um espaço preservado, ampliado e onde jamais a população pobre será expulsa, ao contrário, será enriquecida nos mais diferentes empregos, TRABALHOS, nos ofícios – quer nos CENTROS CULTURAIS BAIANOS, como o 1º gerador, O OLODUM, e em São Paulo, no “TEATRO DE ESTÁDIO”, na “UNIVERSIDADE ANTROPÓFAGA” e na “OFICINA DE FLORESTAS”.
O programa que RE-EXISTIU pressupõe, como queria Gustavo Campanema, que trabalhadores, principalmente na área da Cultura, antes de tudo sejam tratados como pessoas que poderão cultivar-se, viver a ação de qualquer trabalho como um enriquecimento econômico e de alma, de vida, de estar no mundo.
Neste São João, decide-se um passo corajoso, decisivo na História do Teatro, da Cultura Brasileira e do Crescimento do Brasil.
Que São João acenda hoje esta fogueira em todos os Corações presentes neste ato e nos que estarão torcendo em todo mundo por esta vitória da Vida nesta Era que estamos construindo.
JOSÉ CELSO MARTINEZ CORRÊA
Diretor do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Salvador, dia 21 de junho de 2010
(Dizemos no Teatro, antes de entrar em cena: MERDA; mas agora sabemos que MERDA é OURO; esta passa a ser a nova palavra pra jogarmos, atuarmos com sucesso, ao entrarmos corpo e alma na Cena do Mundo.)
A Todos que entrarem na Cena deste TEATRO MUNDI e, sobretudo, aos PROTAGONISTAS, os CONSELHEIROS DO IPHAN DESEJAMOS:
OURO

