Posts com a Tag ‘Cacilda!!’
Festival Dionisíacas 2009 – últimos dias
quinta-feira, 26 de novembro de 2009Críticas de Cacilda!!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009Camila Silveira publicou no site Guia da Semana o texto “Na Pele de Cacilda”, a partir de entrevistas com as atrizes que fizeram Cacilda na maxisérie encenada no Oficina:
“Para compor a personagem, tanto Leona quanto Anna leram o livro Uma Atriz: Cacilda Becker, escrito por Maria Thereza Vargas e Nanci Fernandes. Além de teórica e pesquisadora, Maria Thereza foi uma das melhores amigas de Cacilda Becker, o que a motivou a escrever a biografia da atriz. “Cacilda fez parte da mocidade que tomou de assalto a arte cênica, a partir do final dos anos 30. Estudantes, universitários ou não, chegaram aos palcos mais instruídos e, sobretudo, contribuíram para derrubar o mito de que o teatro era uma arte exercida por marginais”, afirma a pesquisadora.” Leia a íntegra no Guia da Semana
Nelson de Sá publicou em 22 de outubro uma crítica da estreia no blog Cacilda:
“Em meio à depressão do teatro, que também reconheço, Antunes Filho está em cena e Zé Celso, como de regra, vai contra a corrente e celebra o próprio teatro, mais uma vez, em Cacilda Becker.
Para um pequeno número de pessoas em cadeiras em São Paulo, mas antes para casa lotada no Rio, revela o que o teatro brasileiro moderno aprendeu de Procópio e Bibi Ferreira, Grande Otelo, Raul Roulien, Dulcina.” Leia a íntegra no blog Cacilda
Evoéros
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sábado, 17 de outubro de 2009Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!! – Temporada até 15 de Novembro – Sábados e Domingos 18h
sábado, 17 de outubro de 2009Bonitinho mas ordinário
sexta-feira, 9 de outubro de 2009É preciso combater o jornalismo de ignorância cultural absoluta praticado pela Folha de São Paulo hoje.
É estranho que, em matéria de lançamento de uma nova peça, na qual a princípio não haveria julgamento de valor por parte do repórter, a editoria e a direção de um homem de Teatro como Otavio Frias permita acontecer o que aconteceu com o texto publicado na Folha de São Paulo no dia 03 de outubro de 2009 sobre a estreia de “Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda !!”.
O repórter Lucas Neves, que esteve no Rio de Janeiro diante da pré-estreia da peça no dia 5 de setembro, já havia soltado uma matéria preparando a derrubada da peça em São Paulo. Não satisfeito com o que tinha feito repete na matéria de sábado passado na Ilustrada o que já havia dito: “sucessão de problemas técnicos, “brancos” dos atores e várias entradas em cena de José Celso para instruir ou corrigir a trupe. A matéria de lançamento vira matéria de despedaçamento do trabalho dos artistas e tentativa de afugentamento do público. O que a Ilustrada pretende com essa nova linha? Disfarçar o vazio com polêmica?
Nesta nova peça sobre Cacilda Becker o espectador entra no Teatro através de uma cortina. Os atores estão em seus camarins pois a peça trata da vida de bastidor dos Teatros, da vida de artista. É meta-teatro de uma época em que as peças eram feitas em pouco tempo, com uso do Ponto, e baseadas nos carismas dos atuadores, prontos ao improviso. Realmente nossa peça foi muito bem ensaiada em pouquíssimo tempo, a partir do momento em que chegou nossa verba da Petrobras que nos permitiu reunir 58 atuadores multimídia em pleno Império dos Monólogos e cumprir o compromisso da estreia nacional com data fixa no Teatro Tom Jobim no Jardim Botânico.
Na véspera ensaiávamos ainda, montando cenas até as 8 horas da manhã, quando Marcelo Drummond teve a idéia de não fazermos um trecho importantíssimo no Rio, sobre a montagem revolucionária de “Terras do Sem Fim”. Eu entraria em cena, como entrei, e dando os dados fundamentais desta peça com texto de Jorge Amado e música do Buda brasileiro Dorival Caymmi, introdutora da Macumba e de atores negros num teatro predominantemente de público branco, o Copacabana, atuaríamos tendo muitas vezes o texto em mãos, ponto eletrônico, até o sopro de um Ponto, personagem que existe na peça encarnado em Zé Carioca realizando a prática natural do Teatro dos anos 40. Saímos felizes porque iríamos fazer Meta-Teatro de Verdade e degustar do prazer da geração do início dos anos 40. Cumpriríamos o encontro com o Público carioca que nos adora como nós o adoramos, fazendo da estreia um ensaio geral aberto, ou se quiser ser mais chique, mostrando nosso trabalho em progresso, ou mais cult ainda, work in progress. Apenas não tivemos tempo de testar um objeto cenográfico inflável, o Pão de Açúcar, no Território Cênico, o que realmente nos atrapalhou por ser muito barulhento, prejudicando bastante a acústica.
Claro que foi “Uma Noite na Ópera” em que conseguimos nos divertir, com o público dando força, gozando de nossa cara em nossos apuros, divertindo-se com nossas dribladas de improviso. No segundo ato eliminamos o inflável e a peça rolou com sua beleza caótica. Os cariocas nos diziam: “ninguém espera aqui no Rio, do Oficina, uma peça certinha, mas querem vida em cena, artigo raro no Teatro atual”. Nós demos, e fomos generosamente retribuídos.
Se se compara a crítica do jornal O Globo, ou mesmo textos curtos em blogs que podem ser conferidos no blog.teatroficina.com.br, que apontam todas estas faltas ressaltadas por este foca fofoqueiro, bonitinho mas ordinário, chamado Lucas Neves, tem-se um contraste humilhante para o jornalismo cultural de Sampa. O crítico do Globo soube compreender a situação mas não deixou de exaltar a qualidade do texto, de atuações de cena, que se perdiam muitas vezes na bagunça geral. Eu entrava em cena atuando como Tadeus Kantor fazia. Acho natural como na Sinfônica o maestro dirigir, às vistas do público, para dar a dinâmica pedida pela partitura. Não entrei corrigindo ou instruindo a trupe, mas atuando, como ator, animador, plugando principalmente o trabalho com o público, com uma atuação que na Tragédia Grega era a dos Coros: animar a Multidão. Sou um ótimo ator de Coro, e um regente também, mas Regente-Ator.
Estar diante daquela divertidíssima “Noite na Ópera” era uma coisa que só a cegueira, a surdez dos sentidos, a falta de ékstasis, a incapacidade de ser tomado pela emoção estética desse foca que se diz jornalista, estando presente mas sem condições culturais de receber, poderia transformar em uma matéria tão vazia. Esteve, mas não estava lá, esse cabaço chamado Lucas Neves. Seu corpo estava presente, mas morto, insensível às mágicas de um meta-teatro vivo. Será que somente se pode fazer meta-teatro de mentirinha? Com tudo bonitinho, fingindo que se está improvisando?
Os problemas, como acontece no Teatro, foram superando-se na temporada do Rio e “A Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”, assim como “O Banquete”, lotaram todas as sessões. Ambas as peças nos trouxeram o reconhecimento absoluto do público do Rio de Janeiro. Recebemos comentários entusiasmados no blog e e-mail do responsável pelo Prêmio Shell dizendo que somos fortes concorrentes a obter prêmios desde que façamos mais 24 espetáculos em São Paulo conforme o regulamento da premiação. Isso, claro, vai depender de encontrarmos datas em algum espaço da Cidade Dionisíaca do Carnaval, agora Apolínea, Olympica.
Não conseguimos estrear aqui em Sampã com cinco horas ainda, mas estamos caminhando para isso. Tivemos, do 1º para o 2º espetáculo neste fim de semana o ganho de meia hora. Mas isso não é um Terror. As 7 horas e 30 minutos do Rio agradaram em cheio. Não é pecado uma peça ser longa. Queremos chegar a 5 horas porque este é o tempo bem ritmado do espetáculo, e estaremos já muito mais próximos disso na próxima semana. Não tivemos tempo de ensaios corridos. São os espetáculos corridos que fazem a peça deslizar e encontrar seu tempo certo. Nós, que desde os anos 60 fazemos espetáculos de duração maior que o formato 90′, nos orgulhamos do que fazemos e só nos preocupamos em dar cada vez mais conforto ao público com um intervalo um pouco maior no qual em Sampã, onde chamamos Ágora’s Bar, nos baixos do Minhocão em frente ao Oficina, o público pode comer muito bem. E temos agora cadeiras super confortáveis numa das alas do teatro em meio ao jardim, que são lugares privilegiados.
Além dessa obsessão (ou repetição de clichês por falta de assunto?) em apavorar o público, insistindo no assunto “tamanho de nossas peças”, esse que ignora totalmente a Arte de Teatro vem me dizer que eu não entendi Cacilda quando, diante dos ataques paramilitares e do próprio Exército Brasileiro a “Roda Viva”, ela declarou corajosamente que “Todos os Teatros são meus Teatros”. Eu repito com Cacilda: “Todos os Teatros são meus Teatros” e, como Cacilda, com isso quero dizer que sou solidário totalmente a todos os teatros, mesmo se divergir esteticamente deles. Agradeço imensamente a oportunidade de poder falar sem o lado fofoca, intrigueiro, do jornalista, sobre o que manifestei na entrevista. Acho importante no Teatro nós expormos nossas diferenças estéticas, isso só nos enriquece. O Teatro é por si uma arte democrática de ação entre contrários que se apaixonam. Julguei que ele tinha alguma noção do que eu falava quando falei com ele por telefone.
Como posso achar o TBC uma porcaria se escrevi em 1990 minha montagem para 2010 que será “A Glória – Do TBCÉLI ao da Rainha Decapitada até o Teatro Brasileiro das Companhias – Cacilda!!!”, a peça de Cacilda no TBC, onde esta Companhia é exaltada juntamente com todas as TRÊS exclamações de Cacilda!!!. Mas sempre achei porcaria o fato da modernização que este teatro fez ter se realizado sem devorar a enorme contribuição do teatro anterior brasileiro. Houve um corte, feito tanto pelo empresário da revolução de 32 e do TBC Franco Zampari, quanto pela maioria dos diretores estrangeiros excetuando-se Ruggero Jacobbi e Ziembinski. Essa geração não admitiu por exemplo a montagem de “A Senhora dos Afogados” que Cacilda queria fazer. Somente montaram Abílio Pereira de Almeida, um excelente autor de teatro comercial burguês, Edgard da Rocha Miranda, que escrevia em inglês e depois traduzia para o português. Somente no final do TBC, com a entrada de Flávio Rangel e Antunes na direção é que Guarnieri, Dias Gomes e Jorge de Andrade foram montados. Os atores falavam muitas vezes em uma língua empolada, imitando atores ingleses, quase sempre em peças com smoking, chá Mate Leão nos copos que imitava uísque, num Living Room. Não cantavam, não dançavam, não improvisavam. Mas artistas como Zimba, Celi, Cacilda, Walmor, Tônia, Maria Della Costa, impulsionados pela qualidade de produção de Zampari, superavam estes limites vindos da ignorância da cultura descolonizada do Brasil, através de motagens que me formaram e me causaram veradeira estazia.
Quanto a Fernanda Montenegro, desde “A Moratória”, nas novelas da Globo, nos filmes, ou trabalhando corajosamente com Gerald Thomas, sempre adorei, sempre fui seu fã. Fernanda quando foi ver “O Rei da Vela” no Teatro João Caetano, subiu ao palco para nos cumprimentar, e eu a vi, discretamente, ajoelhar-se e beijar o palco. Aquilo foi pra mim um encantamento. Mas ela sempre me disse “não sou uma Bacante, sou uma operária de teatro”. Óbvio que operária de vanguarda, uma das maiores atrizes atuais do mundo, mas sem pretensão de ser uma Diva, uma Xamã, uma Greta Garbo. Cacilda nem é que tivesse essa pretensão, mas foi de fato uma atriz que cultivou teatro-vida juntos, corpo elétrico, xamânico, uma atleta afetiva no sentido artuadiano, e uma estrela da dimensão de Greta Garbo, Vivien Leigh, Eleonora Duse… Nem todas as 4 peças que escrevi pra tentar passar o que ela passou conseguem trazer o seu mistério. É um fenômeno que acontece em séculos e que tem de ser estudado. É diferente de tudo que se conhece de interpretação, seu forte. Talvez comparável a João Gilberto na música, mas Cacilda ía mais longe ainda no Teatro. Quando fizemos um atentado terrorista no DOPS, capitaneados por Maria Della Costa e Cacilda, luxuosamente vestidas, descendo de Rolls Royces naquela imundice toda daquele prédio sórdido, Cacilda declarou que não concordava com os que se utilizavam do teatro para fazer o que chamavam de política, mas defendia o direito dos jovens da época de fazerem. Ela detestava Teatro Infantil e teatro dito engajado, mas defendia até a morte o direito dele ser feito. Tenho a mesma posição, detesto mesmo teatro de esquerda cuecona, mas defendo também seu direito de existência, óbvio.
Quanto a Antunes tenho imensa admiração pelo seu trabalho, invejo a disciplina que consegue de seus atores e a evolução dos mesmos no tempo, mas trabalhamos de maneiras opostas. Eu adoro que os atores do OficinaUzynaUzona namorem-se entre si, bebam vinho, fumem Santa Maria, desenvolvam seu carisma, seu divismo mesmo, porque acho que o Teatro vem da Orgya, é uma relação de Paixão com o Público tão forte quanto a sexual. Por isso quisemos montar “O Banquete” de Platão pra antropofagiar os gregos pagãos no seu culto ao corpo-alma, à pederastia, ao amor erótico platônico, que não tem nada a ver com o que os monges da inquisição espalharam, de um amor sem corpo. E atribuo a essas qualidades o fato da Tragédia Grega ter sido o momento máximo da história do Teatro no Mundo e acho que aqui no Brasil em se plantando está dando, e profusamente. Sinto que não conheço Antunes através de seus trabalhos, diferentemente de Cacilda, que foi uma atriz absolutamente mulher da vida, misturando sua vida à criação de suas personagens. Mas existem enfim artistas assim, que se põe em parênteses, eu sou do lado dos que se expõe, mas nem por isso deixo de admirar e cultuar Antunes.
Depois essa história que só admito os grupos Satyros, Companhia Livre, e Vertigem é absurda. Adoro o trabalho de Quique Dias, de Hamilton Vaz Pereira, de Abujamra… Nem poderia dizer de tudo que gosto. Geralmente a gente nestas entrevistas cita dois ou três que vem à cabeça, mas daí que se exclua os demais, só na cabeça deste foca fofoqueiro de má fé. E quem sou eu para julgar? Sou um artista. Interpreto, mas não julgo. Conheço muito pouco do teatro que se faz atualmente, pelo excesso de trabalho que o Teatro hoje exige de nós todos. Trabalho heróico, de uma verdadeira guerra em que se tem de combater desde este tipo de jornalismo da ignorância absoluta até as pretensões de destruir o Bairro do Bixiga levadas a cabo por nossos vizinhos do Grupoo Silvio Santos numa “Guerra de 30 Anos” em que querem acabar com nossa certeza de que o Brasil de hoje pode ter o público e o Teatro da grandeza poética, musical, dançante, que a Grécia teve.
Agora temos a Era Cyber como aliada e o mundo Change. Este artigo, a direção, a editoria do Jornal, vão dizer: “é do tamanho das peças dele”. Talvez consigam reduzí-lo para caber no limitado espaço que este jornal dá hoje a esta arte decisiva para todos nós neste momento: a arte do corpo presente diante de outros corpos, oportunidade única de fazer a transmutacão de valores que esta crise mundial está oferecendo.
Acreditar no Teatro é acreditar em si mesmo, em seu poder de mortal. Cacilda dizia que o único pecado que cometemos em nossa juventude é não ter confiança em nós mesmos. Estou totalmente de acordo com ela e podem crer, o Brasil vive este momento de esplendor internacional pela cultura, de onde vem seu teatro, sua música, sua literatura, seu cinema, seu futebol, seu carnaval, sua maneira de ser sendo, sambando com a multidão em solidariedade na Alegria, coisa que nunca deixei de ter com todos os Teatros Brasileiros, inclusive de nossos grandes atores políticos como nosso presidente por exemplo, o muito mundialmente amado Lula.
E repetindo outro amado Caetano clamo: Viva Cacilda Becker!
José Celso Martinez Corrêa
PS. Confesso que a matéria me deixou possuído de “Fúria Santa” – nome da maravilhosa biografia de Cacilda escrita por Luis André do Prado. Geralmente eu tomo guaraná em pó para trabalhar, mas nesta tarde a descarga de adrenalina me obrigou a fazer todos exercícios de respiração que nem sabia para não morrer de raiva e levar esse conteúdo nefasto em meu corpo para a estreia. Consegui. “A Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!” está aí com seu trabalho sempre progressivo, dado para o público que consagrou a Atriz Matriz Cacilda Becker, o de Sampã!!
Nesta nova peça sobre Cacilda Becker o espectador entra no Teatro através de uma cortina. Os atores estão em seus camarins pois a peça trata da vida de bastidor dos Teatros, da vida de artista. É meta-teatro de uma época em que as peças eram feitas em pouco tempo, com uso do Ponto, e baseadas nos carismas dos atuadores, prontos ao improviso. Realmente nossa peça foi muito bem ensaiada em pouquíssimo tempo, a partir do momento em que chegou nossa verba da Petrobras que nos permitiu reunir 58 atuadores multimídia em pleno Império dos Monólogos e cumprir o compromisso da estreia nacional com data fixa no Teatro Tom Jobim no Jardim Botânico.
Se se compara a crítica do jornal O Globo, ou mesmo textos curtos em blogs que podem ser conferidos no blog.teatroficina.com.br, que apontam todas estas faltas ressaltadas por este foca fofoqueiro, bonitinho mas ordinário, chamado Lucas Neves, tem-se um contraste humilhante para o jornalismo cultural de Sampa. O crítico do Globo soube compreender a situação mas não deixou de exaltar a qualidade do texto, de atuações de cena, que se perdiam muitas vezes na bagunça geral. Eu entrava em cena atuando como Tadeus Kantor fazia. Acho natural como na Sinfônica o maestro dirigir, às vistas do público, para dar a dinâmica pedida pela partitura. Não entrei corrigindo ou instruindo a trupe, mas atuando, como ator, animador, plugando principalmente o trabalho com o público, com uma atuação que na Tragédia Grega era a dos Coros: animar a Multidão. Sou um ótimo ator de Coro, e um regente também, mas Regente-Ator.
Estar diante daquela divertidíssima “Noite na Ópera” era uma coisa que só a cegueira, a surdez dos sentidos, a falta de ékstasis, a incapacidade de ser tomado pela emoção estética desse foca que se diz jornalista, estando presente mas sem condições culturais de receber, poderia transformar em uma matéria tão vazia. Esteve, mas não estava lá, esse cabaço chamado Lucas Neves. Seu corpo estava presente, mas morto, insensível às mágicas de um meta-teatro vivo. Será que somente se pode fazer meta-teatro de mentirinha? Com tudo bonitinho, fingindo que se está improvisando?
Os problemas, como acontece no Teatro, foram superando-se na temporada do Rio e “A Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”, assim como “O Banquete”, lotaram todas as sessões. Ambas as peças nos trouxeram o reconhecimento absoluto do público do Rio de Janeiro. Recebemos comentários entusiasmados no blog e e-mail do responsável pelo Prêmio Shell dizendo que somos fortes concorrentes a obter prêmios desde que façamos mais 24 espetáculos em São Paulo conforme o regulamento da premiação. Isso, claro, vai depender de encontrarmos datas em algum espaço da Cidade Dionisíaca do Carnaval, agora Apolínea, Olympica.
Não conseguimos estrear aqui em Sampã com cinco horas ainda, mas estamos caminhando para isso. Tivemos, do 1º para o 2º espetáculo neste fim de semana o ganho de meia hora. Mas isso não é um Terror. As 7 horas e 30 minutos do Rio agradaram em cheio. Não é pecado uma peça ser longa. Queremos chegar a 5 horas porque este é o tempo bem ritmado do espetáculo, e estaremos já muito mais próximos disso na próxima semana. Não tivemos tempo de ensaios corridos. São os espetáculos corridos que fazem a peça deslizar e encontrar seu tempo certo. Nós, que desde os anos 60 fazemos espetáculos de duração maior que o formato 90′, nos orgulhamos do que fazemos e só nos preocupamos em dar cada vez mais conforto ao público com um intervalo um pouco maior no qual em Sampã, onde chamamos Ágora’s Bar, nos baixos do Minhocão em frente ao Oficina, o público pode comer muito bem. E temos agora cadeiras super confortáveis numa das alas do teatro em meio ao jardim, que são lugares privilegiados.
Agora temos a Era Cyber como aliada e o mundo Change. Este artigo, a direção, a editoria do Jornal, vão dizer: “é do tamanho das peças dele”. Talvez consigam reduzí-lo para caber no limitado espaço que este jornal dá hoje a esta arte decisiva para todos nós neste momento: a arte do corpo presente diante de outros corpos, oportunidade única de fazer a transmutacão de valores que esta crise mundial está oferecendo.
José Celso Martinez Corrêa
PS. Confesso que a matéria me deixou possuído de “Fúria Santa” – nome da maravilhosa biografia de Cacilda escrita por Luis André do Prado. Geralmente eu tomo guaraná em pó para trabalhar, mas nesta tarde a descarga de adrenalina me obrigou a fazer todos exercícios de respiração que nem sabia para não morrer de raiva e levar esse conteúdo nefasto em meu corpo para a estreia. Consegui. “A Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!” está aí com seu trabalho sempre progressivo, dado para o público que consagrou a Atriz Matriz Cacilda Becker, o de Sampã!!
Textos sobre a estréia carioca de Cacilda!! em blogs
quarta-feira, 7 de outubro de 2009Alegres por existirem os blogs na revolução cyber, goleando de dez a zero a cabacice geral da crítica de cultura na Folha de São Paulo, oferecemos aqui dois links para dois posts anos-luz a frente da matéria publicada na Folha sobre o mesmo assunto: a estréia nacional de Cacilda!! no Rio de Janeiro.
“Antes de a peça começar, Zé Celso, autor, diretor e mestre de cerimônias do Oficina, pega o microfone para pedir aplausos. Não antecipados. Pede que se honrem figuras proeminentes do teatro, misturadas à platéia jovem que enche o Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio – onde se deu a estréia nacional da peça, neste mês. Não era questão de gentileza ou mera política de boa vizinhança do grupo que visitava a cidade, após uns dois anos. Era quase um prólogo, a enunciar que o tema da noite eram os grandes do teatro brasileiro. De outrora, é verdade. Anos 40 e 50. Mas nem por isso a longa noite madrugada adentro seria saudosista ou nostálgica. Ao contrário. “Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!” tem apelo para platéias mais jovens – especialmente os estudantes de artes cênicas -, não apenas pela enorme quantidade de informação histórico-poética sobre teatro e teatro brasileiro, mas pela irreverência e espontaneidade com que se apropria dessas informações.” [leia a íntegra no blog de Cilene]
“Meia hora de intervalo pra esticar o corpo, suprir as necessidades e degustar um bom prosecco pra repor as energias rumo à segunda parte da viagem. Eram 23:30 quando começou o segundo ato.” [leia a íntegra no blog de PHCS]
Xamada Cacilda!! no Jardim Botânico – RJ
sábado, 12 de setembro de 2009Cacilda!! tem estréia nacional no Rio de Janeiro, dia 5 de setembro
quarta-feira, 2 de setembro de 2009Vera Barreto Leite no jornal O Dia
segunda-feira, 31 de agosto de 2009fotos de ensaio de Cacilda!! 21 de ah!gosto!
segunda-feira, 24 de agosto de 2009













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