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Crítica da Folha a Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!! e resposta do diretor do Teatro Oficina

quarta-feira, 14 de outubro de 2009


São Paulo, quinta-feira, 08 de outubro de 2009

Crítica/teatro/”Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”

Oficina reinventa mito de Cacilda

Espetáculo inspirado em biografia de atriz tem narrativa que parece confusa a espectadores menos abertos a divagações

LUIZ FERNANDO RAMOS
CRÍTICO DA FOLHA

Poetas dramáticos inventam mitos a partir de histórias reais. “Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”, de José Celso Martinez Corrêa, é uma invenção gerada a partir da vida e obra de Cacilda Becker (1921-1969), que transforma sua trajetória em mito de origem do teatro brasileiro contemporâneo.
Como nas artes cênicas sempre importa mais fazer-se crível do que a autenticidades dos juízos, o espetáculo pode deslumbrar aqueles dispostos a navegar na imaginação fértil do autor ou parecer confuso e maçante aos espectadores menos abertos a divagações.
O texto encenado faz parte de uma tetralogia escrita no início dos anos 90. A primeira e a última parte já tinham sido parcialmente apresentadas na montagem de 1998, em que principalmente se sintetizavam, no texto escrito para um concurso de dramaturgia, os períodos da infância e adolescência e os anos finais, antes da morte prematura.
A atual montagem cobre os anos de formação, quando ocorrem as experiências iniciais com o teatro, a partir de 1941. Revela-se, por exemplo, que Cacilda Becker foi o elo entre grandes artistas populares, como Dulcina de Moraes e Procópio Ferreira, e a geração seguinte, do teatro-arte, que os destronou.

Narrativa de sonho
A forma engenhosa como se enredam os fatos da vida da atriz e as tramas das peças em que ela trabalhou é o aspecto mais extraordinário dessa dramaturgia.
Num fluxo constante, que se assemelha a um sonho, várias Cacildas associadas às diversas personagens que ela encarnou vão aparecendo e se transformando umas nas outras, ora singulares, na pele da atriz protagonista, ora coletivas, desdobradas em coros de três ou quatro personagens simultâneas.
Em contrapartida, é difícil discriminar no espetáculo, em meio a essa mutação constante de figuras, de que “Cacilda” a cada vez se trata.
Apesar da contextualização cenográfica e de figurino que acompanha as cenas, a riqueza dessas camadas de significação desaparece. Some-se que as falas versificadas expressam, muitas vezes, achados líricos do dramaturgo encenador, menos ligados à fábula, e torna-se provável o alheamento do espectador da trama em curso.
Uma alternativa é não acompanhar o texto e liberar a atenção aos aspectos plásticos e audiovisuais, táteis, cinematográficos ou musicais.
Contudo, é a própria encenação que se mostra prisioneira do texto. Embora alguns trechos do original tenham sido cortados, muitos versos herméticos e gratuitos foram mantidos, alguns que os atores enunciam deixando a impressão de não saberem por que estão a dizê-los.
Daí haver um lado conservador em “Cacilda!!”, por trás do discurso libertário com que se apresenta. Fidelíssimo ao seu próprio texto e contando com a solidariedade de coros entregues ao projeto, o autor age como um “ponto” do teatro antigo, impondo-se sobre eles como um ventríloquo.
Verdade que as energias corporais, os entusiasmos e a formidável soma de talentos que operam em um espetáculo do Oficina minimizam esse aspecto sombrio.
A encenação de José Celso reitera sua contribuição genuína ao teatro mundial: transmutar uma produção imaginária em dramaturgia e materializá-las em espetáculos absolutamente pessoais e intransferíveis. É um inventor de mitos bem particular.

ESTRELA BRAZYLEIRA A VAGAR – CACILDA!!

Quando: sáb. e dom., às 18h; até 22/11
Onde: teatro Oficina (r. Jaceguai, 520, tel. 0/xx/11/3104-0678)
Quanto: R$ 40
Classificação: 16 anos
Avaliação: bom

♦♦♦

POR GORDON CRAIG

VIVA O ATOR

O PÚBLICO FLANADOR

VAGABUNDO DESMARIONETIZADO AMANTEAMADO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O crítico Luis Fernando Ramos, da Folha de São Paulo, da Ilustrada, cultiva um jardim de ressentimentos que já vai para 30 anos, tendo como bode maior o ator Marcelo Drummond, desde que aventurou-se a dirigir um espetáculo que seria a rentrée do Teatro Oficina, ou talvez como ele preferia, de Zé Celso, depois de 18 anos fora do teatro explícito, por exílio ou por ócio. Este espetáculo chamava-se “90’ ou Uma Coisa Inofensiva”, tão inofensivo, que durou só uma noite. O ofendido acabou sendo eu, que não pude voltar nem pra agradecer os aplausos porque não consegui me levantar do camarim acometido de uma Erisipela grave. Tínhamos tido a idéia, o jovem belo Marcelo e eu, de terminar o espetáculo, com ele, o bode, segurando um travesseiro diante de seu corpo nu, cantando à capela a “Sessão Coruja” de Cazuza. Luis Fernando ficou possesso pois nem sequer admitia Marcelo no elenco… e proibiu a cena. Mas Marcelo desobedeceu e fez a noite terminar com a cena que bolamos, com a convicção explicitada ao próprio “diretor” de que ele , Luis Fernando Ramos, não era “diretor”, o que a vida nestes 30 anos só fez confirmar.

Na crítica muito elogiosa que fez de “Os Bandidos” no ano passado, ignorou completamente Marcelo que protagonizava a peça de Schiller. O DVD dirigido por Elaine Cesar que vai virar um filme de cinema de 2h e 30’ vai fazer justiça ao nosso Ham-let, aliás como já acontece no DVD de Ham-let. Engolimos o sapo. Quando saíram os DVD’s do Festival Oficina 2001, co-produzidos com Tadeu Jungle, distribuídos agora pela Trama, o crítico caiu de pau em cima de Marcelo e da longura dos espetáculos filmados e outras coisas que já esqueci. Eu aprendi com Janis Joplin a não engolir sapos. Ela tinha uma expressão em inglês que eu esqueci, mais ou menos assim, se te cospem na cara, devolva com uma cahoeira escarrada. Eu escrevi uma réplica que a Folha teve o mérito de democraticamente publicar.

Agora na crítica de “Estrela a Vagar – Cacilda !!” ele se vinga e eu muito feliz constato que agora o Bode pra este Catedrático da USP sou eu ! Incrível que obteve o cargo com uma tese em torno da dramaturgia não linear de Beckett e de Cacilda!. Desde esta 1ª peça estava óbvio que toda Cacilda!! se passa no Coma dos 38 dias de Cacilda Becker no São Luiz, evidentemente confundido à minha imaginação delirante na Estação no Inferno da Santa Casa de Misericórdia e depois no Hospital das Clínicas. A Erizipela agravou-se, eu fui ficando pior que o Filoctetes de Sófocles. Era 1990, a AIDS era a maior paranóia que rondava todos os prosmíscuos como eu. Minha saída veio quando me encontrei, em delírios, com Luis Antônio Martinez Corrêa e Cacilda. Luis ia mesmo escrever essa peça que acabei escrevendo eu. Era idéia dele. Cacilda, eu senti nas minhas divagações, trazendo uma Uzyna trans-eletrônica pra sair do círculo pequeno, mesmo de sua época áurea nos anos 60. As Multidões mereciam seu culto, assim como ela merecia o culto do público brasileiro e mundial, ainda não ganho outra vez por alguma coisa parecida com a Tragédia Grega. Na minha fé pretensiosa acreditei, e agora mais do que nunca acredito, que, como quero e trabalho pra que isso aconteça, o Teatro de Estádio, a Revolução Cybernética, a cultura antropófaga brazyleira vão materializar este sonho: “o do futebol virar cultura e o Teatro Esporte das Multidões”. Profecia explicitada assim pelo grande ator carioca Flávio Santiago. E decidi no Inferno de meus delyrios escrever o que foi escrito: 900 páginas, juntamente com Marcelo Drummond como parteiro, buscando com a força que a presença corporal animada, ou o Agalma de Cacilda, como aprendi depois no “Banquete” fazendo Sócrates, deixara impressa em todo meu corpo-alma. Quando digitava num computador brasileiro cedido pelo saudoso Severo Gomes eu ouvia Cacilda no meu ouvido enviando a meus dedos aquele Labyrinto de Ariadne em que eu perseguia buscando o Teatro que o Minotauro em “Bacantes” me revelou como TragyKomédyOrgya, a Ópera de Carnaval Elektro Kandomblaica.

A 1ª Cacilda, a ! exclamação, já fertilizada por Ham-let, Bacantes, Mistérios Gozozos quando encenada, atravessou a Universidade de 27 horas de Teat(r)o de “Os Sertões” para depois de 11 anos encontrar-se com as duas exclamações, com a vagante estrela brazyleira de 20 anos, Cacilda !!, encontrada na juventude e no talento da grande atriz estrela Anna Guilhermina, e com esta constelação de estrelas que renasce nesta primavera de 2009, nos corpos-almas elétricos, auto-coroados e multimeios, que animam esta nossa Companhia: a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Divos e Divas, Estrelas, que me animam a não mais esperar tanto e emendar a “A Glória no TBC(éli) – Cacilda!!!” e “TCBAntigone Chanel Cacilda!!!!”. Enfim fazer toda tetratologia para ser depois montada como “Os Sertões”, em 4 noites seguidas em ordem cronológica criando uma universidade viva do teatro brazyleiro que antecedeu a minha geração, reeslatabelecendo o elo perdido, pois como Cacilda!! divaga: “O teatro é uma arte passada de mão em mãe, sem deixar buracos.” Como os africanos no Brasil, na Colômbia, em Cuba, nos EEUU, desterrados e escravizados nos ensinaram. O Teat(r)o de Dionisios, da Ariadne Bacante Cacilda é um rito de amante de santos e exus, como o Candomblé. Nós temos de antropofagiar nossas origens, sem deixar vácuos, mesmo neste abismo de gerações que os militares imperialistas e entreguistas de 1964 tentaram criar pela censura, pela tortura, pelo exílio, na prática desta arte.

Agora que esta Arte, com esta crise, passa a protagonizar uma revolução cultural artaudiana, no atletismo afetivo, e na mutação da anatomia humana, agora que o drama das novelas das donas de casa das classes ABC agoniza com a crise do neo-liberalismo, a reação a esta mudança de eras é muito forte, assim como a homofobia por causa da libertação do Amor, agora, livre.

Agora Luis Fernando Ramos aponta a seta para o lugar certo cumprindo o ritual do rebanho a quem ele é fiel, ao Patrão e à sua clientela. Em vez de assumir seu artista, seu Gordon Craig, ele tenta segurar o público de classe média consumidor, como eu, do jornal de que Lina Bardi tinha horror e chamava de “Folha Pra Frentex”. Trai seu artista para virar um crítico a serviço de um público que ele quer manter na paranóia que está nesta crise. Em plena Era do Fim do Teatro Dramático, linear, de enredo, ele aposta na não inteligência do público dividindo os que podem deslumbrar-se com o Vagar da Estrela Brazyleira Cacilda!! dispostos a navegar na imaginação fértil do autor e os menos abertos a divagações a quem pode parecer confusa e maçante a nossa Cacilda de 20 anos. Esse é seu desejo de servir o consumidor, como supõe os marketeiros, sempre, burro. Condenado em plena era do esplendor da presença viva do teatro a não suportar mais de 90’ de Teatro. Na realidade este público esquizofrênico, dividido entre os deslumbrados sonhadores e os realistas lineares, está dentro do próprio crítico. Isso ficou tão claro quando Marcelo Drummond acabou de ler a crítica e sacou: “O Luis Fernando Ramos é o pequeno burguês exemplar !” Ele sacou como TETERIEV, magistralmente interpretado por Raul Cortez, Fauzi Arap, Luis Linhares e até por mim em “Os Pequenos Burgueses” de Gorki, encarando o magistral Kusnet na sua entidade o Pequeno Burguês trazida com a perfeição de um Orixá da Pequena Burguesia Branca: “Você também me agrada porque você é inteligente dentro das medidas, bom dentro das medidas, estúpido dentro das medidas, honesto e canalha dentro das medidas, covarde e corajoso… Você é um pequeno burguês exemplar. Você encarna muito bem a mesquinharia consumada, esta força que derrota até os heróis…e que vive e triunfa!”

Quando montamos esta peça tivemos a sorte de nos suicidar iniciaticamente como pequenos burgueses e ressucitarmos como simples mortais no tempo, nos libertando do drama, do enredo, do “plot” da pecinha bem feita, da linearidade, e viramos estrelas vagabundas levados pelo Sol da vela do Rei Oswald que interpreta o TBC, por não ter passado ainda por esta “morte iniciática”, como o teatro arte que destronou a arte de Procópio, Morineau, Bibi Ferreira, Dulcina, Oscarito, Grande Othelo, das grandes cantoras da Rádio Nacional, da geração do teatro dos anos 40, de onde surgiu o “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues, e o texto “do Teatro que é Bom”, o Manifesto do Teatro de Estádio de Oswald, que aliás escreveu o Rei da Vela para Procópio Ferreira. Oswald, antropofagiado pela Tropicália, destronou a Arte séria, sem humor, linear, dos chato boys, espécie de que aliás Luis Fernando Ramos é um sobrevivente.

Com as três exclamações de Cacilda eu exalto o TBC em que a Arte de Cacilda começou a brilhar e que trouxe uma contribuição enorme para o Teatro Brasileiro, mas não antropofagiou a Arte Maravilhosa existente, e com isso afastou-se do Teatro como Arte e fez mais um Artesanato Industrial, que uma Arte do Delyrio. Peças bem feitas, sem música, com péssimas traduções, atores impostados imitando atores ingleses, sem a liberdade do improviso. A Tropicália como Meyherhold trouxe as saudades do futuro pelo culto nagô aos antepassados, os mais desprezados. Barba Heliodora quando queria dizer que um dos espetáculos de Cacilda era ridículo tinha a ignorância de compará-la pejorativamente às grandiosas deusas, as Irmãs Batista. Décio de Almeida Prado achava ruim que Procópio encenasse as peças de Época, como diziam. Moliére por exemplo Décio escandalizava-se com o mau gosto de Procópio de fazê-lo na linguagem comtemporânea. Preferia que fizesse no estilo EAD, como esses palhacinhos de hoje com nariz vermelho de clown, como os que querem fazer como era naquele tempo. Se fosse camponesa tinha de por as mãos na cintura, e fazer como dizíamos no Oficina dos 60, a “bigoduda graciosa”.

De repente a lógica assalta o esquizofrênico que pergunta: de que Cacilda se trata? E eu sei? Há infinitas cacildas numa só Cacilda, como as bonecas russas, aliás como em cada um de nós. Quem somos nós? Não temos a menor idéia. Que Zé sou agora nesta madrugada de outubro, e que Zé serei quando for deitar e domir, e amanhã no espetáculo… vou estar vivo? Mas se estiver, como vou estar? Que público vamos encontrar? O que vai dar nosso encontro com nossas Cacildas que estou convencido que somos todos nós e não somente com quatro exclamações? Então o pequeno burguês clama professoral: “A riqueza dessas camadas de significações desaparece em falas versificadas que expressam muitas vezes achados lyricos do dramaturgo, menos ligados à fabula, e torna-se provável o alheamento do espectador à trama em curso e a alternativa é não acompanhar o texto e liberar a atenção aos aspectos plásticos e audiovisuais tácteis, cinematográficos ou musicais”. Mas língua das Cacildas é a do sonho materializado. Eu como o crítico mesmo escreveu em seu livro, sou um dramaturgo de rubricas. Nesta peça, exagerei, reescrevi, aliás, reescrevemos a peça e ainda a estou reescrevendo com os atores, músicos, pessoal do video, figurinistas, direção de arte, libertados no texto rimado, pra ser musicado, pra flutuar, pra ir, pra voar, pra sonhar. A prisão ao texto ao contrário teve suas portas escancaradas para todos criarmos a ação contínua, liberados do drama. O que importa é o labirinto de Ariadne, a linha contínua da ação que não se quebra reduzindo-se ao texto, mas canta por tudo: luz, dança, canto, vídeo, roupa, toques com o público. Vale muito mais o que nem é falado, mas passa pelos versos herméticos gratuitos mantidos, que alguns atores enunciam deixando a impressão de não saber o porquo estão a dizê-los. É a gloria o estágio que se atinge quando não se sabe porque está se dizendo alguma coisa. O sonho, a ação, nos possuem, e somos ditos. É o estado que Stanislawiski buscava, o do inconsciente. Kusnet ficava desesperado quando “pensava” suas falas. Nós trabalhamos o texto nas circunstâncias propostas, do vasto ambiente arquitetônico, urbano, com terra, água, fogo, ar, satélites, Bixiga, Oficina, ou como foi no Rio, o Jardim Botânico, trazendo a mágica de Tom Jobim no perfume que vinha dele e nos inspirava e revelava, fazia-nos perceber a fala como fenômeno, sem consciência cerebral dela, como vivência. O texto fica depositado no corpo do ator, e na contracenação e no ambiente do instante ele sai de nós e adquire sentidos inesperados em cada noite de interpretação. Essa deusa das deusas: A Interpretacão, que tem tudo a ver com a percepção trans-sensorial, e nada com uma arte cerebral. E é universal porque todos, atrás de nossas caretas, até Luis Fernando Ramos, temos nosso outro, nosso Gordon Craig, nossa loucura, nosso mistério, nossa confusão como diz Cacilda em sua mais bela carta em que decompõe em TRÊS Cacildas, a azul, a vermelha e a parda: essa confusão absolutamente cacíldica sou eu. Texto da atriz Cacilda Becker co-autora de suas, minhas, nossas peças.

“O autor age como um ponto do teatro antigo, impondo-se sobre eles como um ventríloquo”. Realmente eu entro muitas vezes em cena, pra animar como um maestro, como eram os maestros dos Coros gregos, e na noite em que o crítico esteve presente eu pedi ao sonoplasta que não tirasse uma música de Mahler, num determinado momento da peça que ela levava a cena como água. A Máquina de Desejo da peça é complexa pois se trata de teatro total. Às vezes interfiro, quando há ameaça de enfarto nas veias de Ariadne, às vezes erro, sou o Ponto, mesmo. Há na peça este pesonagem, que regia a peça, que mais que dar as deixas soprava o fluxo, a música da peça. E havia grandes artistas desta arte. Isso nada tem a ver com o teatro de marionetes de Craig, ao contrário, sou um estimulador da interpretação baseada na masturbação mais excitante do desejo do ator. Estimulo os Divos e as Divas. Fantoches, podes crer, não existem, só na cabeça de quem não sabe interpretar. Cuidado, não perca este poder de interpretação que você já teve. A crítica é uma Arte de Interpretação, não é lugar nem de julgar, de fazer vingancinhas de ego, prestar serviços ao consumidor não deslumbrado. Ao contrário, é a Arte de jogar Luz no trabalho dos artistas, nas divagações, nos hermetismos, de ser a Ariadne que não mata o Minotauro e traz o deslumbramento das decifrações que levam ao deslumbramento. Acredite, o público é perceptivo, e sabe sonhar, e prefere como todos o sonho materializado que a realidade bem contadinha e bem curtinha.


Tente apagar este seu novo engano. Pérola negra, te amo, te amo.


José Celso Martinez Correa

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lina1

Em bilhete de 1987 Lina Bardi escreve a Zé Celso de que maneira vê o Oficina que nasceria a partir de seu projeto arquitetônico
“Oficina – Teatro – pé na estrada – ver outra expressão_ / Paralelamente – Eventos culturais (inventar outra expressão) – debates – reuniões_ / Revista mensal A Bigorna – (Retornar a “Vanguarda” futurista e surrealista. Breton (esquerda não folclórica) isto é – o Brasil Popular / Continuar o que Eron, Glauber, eu e tantos outros começamos no Nordeste_ / Zé não ter vergonha de ter cursado a Faculdade de Direito / Seríssimo_ / Universitário – Popular – (contra a Folha e tudo o que é p/ frentex”