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Despejo de um embrião de democracia

terça-feira, 9 de junho de 2009

A luta é tão desigual que a possibilidade de vitória deve nos encorajar a agir. Nós da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, nós, amigos do Oficina, nós que travamos nesta crise o mais que necessário e oportuno combate pela preservação e ampliação das conquistas do Meio Ambiente. A Ecologia Urbana está ameaçada : um espaço de Democracia nos Baixos do Minhocão em frente ao Oficina, justamente que reinterpreta esta obra fatídica da ditadura militar, “O Elevado”, que levou o nome do ditador Costa e Silva, quase a desintegrar inteiramente o tecido social do Bairro Umbigo de São Paulo, o Bixiga. Luta que neste momento de Crise, é oportuna historicamente e se dá em toda face da terra, para impedir guerras, terrorismos, ismos e mais ismos, e fazer do mundo um Pomar, um Jardim habitável, respirável e até naturalmente cheiroso, diante de tanta Brutalide.

A área do Minhocão em frente ao prédio da Jaceguay 520, faz parte do ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE, o complexo Urbano pelo qual a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona luta há quase 30 anos. A área dos Baixos do Minhocão está neste projeto, destinada à criação de um dos nossos maiores arquitetos urbanistas: Paulo Mendes da Rocha. Uma ÁGORA, no sentido grego do termo, de espaço iniciador histórico da DEMOCRACIA, ocidental.

Um espaço público para o povo do Bexiga, São Paulo, e porque não do Mundo, encontrar-se e ter em suas mãos o destino do Bairro, Umbigo de uma das maiores Metrópoles do Planeta Terra. Talvez a mais carente de VERDE, a mais careca, a mais sacrificada pela especulação imobiliária no Brasil e no Mundo.

O Espaço tem atendido, atualmente à necessidade crescente do Oficina de ter um espaço onde possa guardar material cênico, exclusivamente das peças que estão acontecendo na Pista do Teat(r)o. Alugamos um Depósito na Rua São Domingos, para depósito de material cênico de todas nossas peças, mas é sempre necessário ter próximo o material que entra nas cenas no dia. Além disso tem atendido outra necessidade, mais importante ainda, a do enorme público que frequenta o Oficina, de um espaço para convivência, para alimentar-se, beber, conversar, estar.

Traz ainda a possibilidade de povoar, trazer alegria, para a região solitária e mal iluminada que ronda o Oficina, em meio aos escombros do Grupo SS, como aconteceu com o maravilhoso trabalho dos SATYROS na Praça Roosevelt.

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Esboço de Paulo Mendes para a Ágora, clique na imagem para ver o desenho original

 

Ágora aberta ao público no dia do cinquentenário do Oficina, 28 de outubro de 2008

Ágora aberta ao público no dia do cinquentenário do Oficina, 28 de outubro de 2008

Acabei de fazer o prefácio de um livro sobre a Tropicália, “BRUTALIDADE JARDIM” (Brutality Garden) escrito por um americano professor de literatura brasileira na Tulane University em New Orleans, em que me foi revelado o termo HOMOSOCIAL, sem conotações diretamente sexuais, mas sim, Políticas. Os americanos na onda do CHANGE que elegeu Obama, trabalham a AFETIVIDADE como uma categoria Política. Aliás o Obama com sua elegância, delicadeza, demonstra em si o poder desta categoria nova na Política com P maiúsculo: o AFETO.

A ÁGORA é um lugar de exercício da POLÍTICA DO AFETO, o espaço da prática da homosociabilidade, ameaçada a transformar-se num lugar de consumismo, incentivador de toda a energia do capitalismo egóico, monologador, matéria prima desta Crise que o Mundo inteiro vive atualmente, trazida pela sofística financeira, Miss Especulação.

Nosso advogado Dr. Cristiano Padial Fogaça Pereira, deve entrar com uma ação, pois este lugar está em situação de contencioso. Por trás de uma funcionária nutricionista que pede que retiremos nosso material imediatamente daquele espaço, porque “vai haver uma reforma”, está certamente tudo que motiva a demolição da área do entorno Tombado do Teat(r)o Oficina. Pergunta-se : para quê ?

O público ainda não tem conhecimento: “720 apartamentos” ou “um Shoping” ?

 

Uma dezena de moradores de rua abriga-se embaixo do minhocão em frente ao Oficina do outro lado da rua e ao Sacolão

Uma dezena de moradores de rua abriga-se embaixo do minhocão em frente ao Oficina do outro lado da rua e ao Sacolão

 

Em frente aos muros de portas e janelas emparedadas durante a demolição que já dura mais de 20 anos um morador de rua dorme

Em frente aos muros de portas e janelas emparedadas durante a demolição que já dura mais de 20 anos um morador de rua dorme

O Grupo SS está neste ser ou não ser sobre o que pode ser mais finaceiramente vantajoso e possível dentro dos frágeis fios da lei Urbana, defendendo timidamente a Cidade.

Está no contencioso porque tramita no MINISTÉRIO DA CULTURA magnificamente gerido pelo Ecologista Juca Ferreira, e no seu organismo de proteção ao Patrimônio, o IPHAN, sob direção do jovem e dinâmico arquiteto Luis Fernando Almeida, um PROCESSO DE TOMBAMENTO DO TEAT(r)O OFICINA como PATRIMÔNIO CULTURAL BRASILEIRO, de número 014 50005 674 2008- 21 e outro de seu ENTORNO QUALIFICADO para realização da complementação do projeto da arquiteta LINA BARDI de número 1515 T. B 04.

Este assunto todo tem de ser tratado publicamente.

Trata-se de uma questão que é a dominante nestes tempos de Crise : a do MEIO AMBIENTE, destruído pela especulacão financeira, sobretudo a Imobiliária.

Tudo está sendo feito na Moita.

A exposição pública deste fato, dá possibilidade de evitar-se mais um Crime Ambiental : a destruição do Bairro do Bixiga como Ponto de encontro fora dos guetos, da cidade de São Paulo.

 

O janelão do Oficina, ameaçado de tumulamento pela construção do grupo Silvio Santos – foto Nelson Kon

O janelão do Oficina, ameaçado de tumulamento pela construção do grupo Silvio Santos – foto Nelson Kon

É preciso reforçar este lugar que já foi cosmopolita, enfraquecido, por sua divisão pela Construção do Minhocão, mas hoje merecendo uma real revitalização de acordo com seu destino histórico de ser uma Lapa, um Pelourinho, um Greenwich Village, uma Rive Gauche de São Paulo, enfim o lugar acolhedor da mistura social, que existe em qualquer capital do mundo e mais que isso, o da morada de um povo que lá vive, que sai para rua, põe cadeiras na calçada, e é em si um patrimônio, por trazer em seu corpo a história do lugar.

Este povo é exatamente nosso público alvo para o ANHANGABAÚ DA FELIZ CIDADE, com a Universidade Antropófaga, a Oficina de Florestas, a ÁGORA e o Teatro de Extádio, conjuntos urbanos sem grades que queremos criar.

Os nordestinos, os italianos fundadores das primeiras cantinas, o Vai Vai, dos afro-descendentes, primeiros proprietários do Bairro, são importantíssimos para a criação de um espaço público cultural sem grades.

 

Beco do Oficina com a saída fechada e janelão, vistos do hoje estacionamento do Baú da Felicidade – foto Cassandra Mello

Beco do Oficina com a saída fechada e janelão, vistos do hoje estacionamento do Baú da Felicidade – foto Cassandra Mello

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As terras do Bixiga foram de Libertas, uma ex-excrava, proprietária da Chácara do Bexiga, que ía até a Avenida Paulista. Estas terras foram griladas, seu povo morador foi arrancado do seu Quilombo de que eram proprietários e jogados no Cortiço, nas “Cabeças de Porco.”

O mesmo pode voltar a acontecer agora, como já vem acontecendo: os moradores pobres, a riqueza do Bairro, que merece enriquecer-se no lugar que cultivou, estará toda ameaçada mais uma vez de ser levada para a mais remota periferia das periferias.

Já aconteceu com os os moradores do Prédio que foi da Caixa Econômica, entre eles Ariclenes Barroso, um de nossos mais talentosos jovens atores, vindo do nosso trabalho com as crianças do Bairro : O BEXIGÃO, que lá morava, teve de mudar-se pra bem longe do teat(r)o onde se formou, se forma e hoje trabalha profissionalmente.

Portanto acho justo tirar da clandestinidade este despejo que está sendo feito de parte do Corpo de um Teat(r)o, O Oficina, justamente no ano que comemora seus heróicos 50 anos de Vida Fértil no Bairro do Bixiga, Bela Vista.

Guerra pela paz.

Um grande abraço a todos que lutam com felicidade guerreira na Guerra, na Paz

e pela preciosidade do Meio Ambiente.

José Celso Martinez Corrêa

Amor Humor e Muito Mais

Texto sobre o Oficina na Questão de Crítica

quinta-feira, 9 de abril de 2009

“Bakhtin detecta na ‘vida da praça pública’ um ‘caráter não-oficial’ que atribui à liberdade das pessoas que ocupam esse espaço. Características essas que foram sendo ambicionadas nas encenações do grupo ao longo do tempo e que se materializaram espacialmente no Teatro Oficina Uzyna Uzona por meio do coro.”

Leia a íntegra do texto de Viviane Soledade na Questão de Crítica

Carta de Protógenes a Obama

quarta-feira, 8 de abril de 2009

É hoje o depoimento do delegado Protógenes à CPI do grampo. Abaixo a carta dele a Barack Obama pedindo que abra as hd’s que contém informações sobre a corrupção na República Empresarial do Brasil:

 

Estimado Presidente Barack Obama,

 Como é amplamente reconhecido, a sua eleição ao cargo supremo dos EUA reafirma e fortalece a luta pela democracia e pela justiça travada por cidadãos honrados em nações do mundo inteiro. Acreditamos que existe, de fato, “uma luta em andamento que vai além do oceano” dizendo respeito ao bem-estar de toda a coletividade humana. É nesse espírito que estamos enviando essa comunicação à sua atenção.

 O Brasil vive momentos de fragilidade, pois evidências de esquemas de corrupção que ameaçam a soberania de nosso país estão presentemente sendo avaliadas nos EUA. Precisamos, portanto, do seu apoio. Sabemos, afinal, que o crime organizado internacional não tem qualquer comprometimento com o valor público das nações do planeta, mas apenas com a sua dizimação, fato que perpetua o flagelo e o sofrimento de centenas de milhões de seres humanos em todos os países.

A luta brasileira contra a corrupção tem se tornado mais intensificada nesses últimos meses conforme a operação Satiagraha da Polícia Federal tem evidenciado ao povo brasileiro o envolvimento dos três poderes da república em esquemas de corrupção. Isso se tornou público a partir da apreensão e condenação do banqueiro-bandido Daniel Dantas, o agente financeiro de inúmeras fraudes e atos criminosos realizados nos últimos 15 anos em conjunto com os mais altos representantes públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário do Brasil.

Como resultado desse quadro lamentável, os poderes da república brasileira têm agido de forma patentemente arbitrária e antidemocrática, visando obstruir os processos da lei e da ordem, dessa forma traindo os interesses 190 milhões de cidadãos brasileiros ao favorecer bandidos já condenados pelas leis do país.

O fato é que os 2 bilhões de dólares já bloqueados com a ajuda de governos estrangeiros – do total de U$ 16 bilhões desviados pelo banqueiro-bandido Daniel Dantas – mostram a veracidade dos crimes e provam que a luta vai, sim, além dos oceanos. Mesmo assim e apesar de ter sido condenado a dez anos de prisão bem como ao pagamento de multa de R$ 12 milhões por tentar subornar um delegado da Policia Federal, o banqueiro-bandido condenado responde a sentença em liberdade após receber dois Hábeas Corpus sucessivos contrariando todo o histórico de julgamentos e súmulas da Suprema Corte brasileira.

Infelizmente, não é apenas o judiciário que está no payroll do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém. No caso em questão, 11 entidades autônomas, incluindo as forças armadas brasileiras, formavam um conselho consultivo que coordenava a Sisbin. Esse conselho foi agora substituído por um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável.

Como é de conhecimento público, as informações da investigação Satiagraha contendo provas irrefutáveis dos crimes mencionados acima se encontram em 12 discos rígidos, encontrados dentro de uma parede oca na residência do banqueiro-bandido Daniel Dantas, os quais estão presentemente nas mãos da CIA nos EUA para serem analisados e revelados os esquemas de corrupção no Brasil com reflexos no seu país. Não é difícil imaginar as razões que levaram essas evidências para longe do Brasil ao considerarmos a seriedade dos crimes cometidos e o poder dos criminosos envolvidos, cuja lista abrange expoentes do sistema financeiro internacional, alguns já bem conhecidos do público estadunidense.

Assim como o senhor, o senador Russ Feingold e milhões de homens e mulheres honrados em seu país, a grande maioria dos brasileiros acredita que a lei deve valer para todos equitativamente, caso contrário a democracia se torna uma mentira e colocamos em risco o futuro da liberdade e da cidadania no mundo. Temos que lutar juntos pela transparência e pela justiça dia e noite para que as forças corruptas não se imponham sobre as forças do bem e por isso acreditamos vigorosamente que não pode haver protelações quanto à justiça clamada pelo povo brasileiro em face da crise moral que assola o Brasil.

Finalmente, lutamos pela justiça HOJE. Como escreveu Martin Luther King Jr., “Justiça atrasada é justiça negada”. Então, contamos com a sua vigilância e o seu apoio para que os processos de avaliação e divulgação dos dados contidos nos 12 discos rígidos em poder da CIA não sejam obstruídos. Queremos apenas a verdade, pois sabemos que basta a verdade para que a soberania do nosso povo seja garantida.

Deus abençoe o senhor, sua família, o povo americano e todas as suas iniciativas visando o aprimoramento social da humanidade.

Atenciosamente,

Protógenes Queiroz